quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Palmada Educativa = Surra De Amor


O principal problema em relação a este assunto é que muita gente confunde palmada educativa com espancamento. Palmada educativa é o corretivo dado com a palma da mão somente na região das nádegas. Já espancamento é uma surra violenta que causa sequelas físicas. Portanto um ato é diferente do outro. Debateremos aqui os pontos positivos da palmada educativa, que é uma atitude de amor.

Histórico
Historiadores comprovaram que a famosa palmada educativa usada pelos pais para amansar os filhos é utilizada desde a Idade da Pedra.
No Brasil a palmada educativa foi introduzida na Época do Brasil-Colônia, pelos jesuítas quando eles tentaram introduzir este método nas tribos indígenas. Porém, a maioria índios não aceitou. Os poucos nativos que concordaram com isto foram estudar com os padres. Assim tiveram uma educação rígida e subiram na vida.
Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente condena a palmada educativa usada como corretivo pelos pais.
O problema é que a partir dos anos 60, com a aplicação da Psicologia Contemporânea e da Teoria da Libertação, este tipo de método educacional passou a ser condenado e, por isso, os pais foram deixando de impor limites pouco a pouco, o que resultou na geração de jovens com muitas atitudes sem noção que vemos hoje. Por exemplo: os casos dos alunos que tiveram relações íntimas dentro dos banheiros das escolas, com certeza, são fruto desta educação liberal.
Recentemente houve uma pesquisa em alguns países que adotaram a lei antipalmada e o resultado foi surpreendente. Exemplo: na Nova Zelândia foi realizado um referendo sobre o assunto que apontou que a maioria dos neozelandeses deseja que os pais possam voltar a dar legalmente palmadas em seus filhos, dois anos depois de uma lei ter proibido este tipo de medida disciplinar. A pergunta do referendo foi esta:
A palmada (nos filhos) como parte de uma punição apropriada por parte dos pais deve ser considerada um crime na Nova Zelândia?
Conforme as autoridades do país, 87,6% dos eleitores votaram no ‘não’, pela extinção da lei, e apenas 11,81% deles votaram no ‘sim’, pela manutenção da legislação que proíbe punições físicas.
Pesquisadores confirmaram que depois da lei antipalmada entrar em vigor na Nova Zelândia, aumentou o número de menores envolvidos em crimes.
Seria isto coincidência?

Discutindo Com uma Psicóloga Evangélica
Em 1993 fui chamada para um debate sobre palmada educativa. Quando, de repente, uma psicóloga começou a falar:
- Os pais não devem dar palmadas nos filhos nem quando eles aprontam. Afinal, isto pode traumatizar a criança e é contra a Bíblia. Eu sou evangélica e sei disso.
Então comentei:
- Neste ponto a senhora se enganou, pois nos Provérbios é aconselhado dar palmadas educativas nos filhos todas as vezes em que eles faltam com o respeito com os pais.
A psicóloga exclamou :
- Isto não é verdade!
Assim indaguei:
- A senhora tem uma Bíblia para me emprestar aí?
A moça pegou o livro sagrado e entregou-me .
Então, li em voz alta :
- "Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão. Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem" (Provérbios 3:11-12). - "O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga" (Provérbios 13:24). - "O filho sábio alegra seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe" (Provérbios 15:20). - "O que gera um tolo para a sua tristeza o faz; e o pai do insensato não tem alegria. O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para aquela que o deu a luz" (Provérbios 17:21,25). - "Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar" (Provérbios 19:18). - "Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela" (Provérbios 22:6,15). - "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno" (Provérbios 23:13-14). - "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma" (Provérbios 29:15,17).
A psicóloga tentou argumentar:
- O problema é que as palmadas ditas educativas podem formar um adulto com patologias, como o sadomasoquismo, por exemplo.
Eu rebati :
- A senhora vê o sadomasoquismo como uma doença? Desde quando sadomasoquismo é uma doença? Isso me parece uma visão preconceituosa. Afinal, ao olhar de muitos estudiosos, sadomasoquismo é apenas uma forma de sentir prazer. Ora, cada um tem o direito de sentir prazer da maneira que escolheu.
Naquele momento, a psicóloga ergueu a mão para falar algo. Mas, de repente, a monitora da mesa disse:
- Senhores, tempo encerrado. Agora outro assunto entrará em pauta com outros participantes.


Discutindo Com uma Psicóloga na Rua
Neste ano de 2009, num dia ensolarado, eu estava na rua quando, de repente, vi um neto chutando as canelas de seu avô porque ele disse que não tinha dinheiro para comprar um determinado brinquedo. Então o idoso gritou:
- Meu neto, por favor, se comporte... Senão darei umas boas palmadas!
Na esquina, estava passando uma perua, toda enfeitada, que, ao ver a cena, saiu correndo em direção ao ancião e exclamou:
- Se o senhor bater neste garoto, eu chamarei a polícia! Olhe o tamanho dele e olhe o seu!
O velhinho sentiu-se envergonhado, pegou o menino pela mão e continuou o seu caminho.
Naquele instante, fiquei com pena do idoso, fui em direção à mulher brava e perguntei:
- Qual é a profissão da senhora?
Ela respondeu:
- Psicóloga!
Então eu disse:
- Só poderia ser! Se bem que eu tenho nada contra psicólogas... Mas a senhora não ficou com pena daquele ancião?! Sabia que o neto faltou com o respeito com ele e por isto o velhinho quis dar umas boas palmadas educativas?
A psicóloga, dando as costas para mim, gritou:
- Gosta de velhos?! Então leve para casa!
Então eu berrei:
- Continue incentivando pequenos marginais como este, que daqui a pouco a senhora pode ser assaltada ou morta por um!

Conversando Sobre Palmada Educativa Com uma Parteira
Recentemente, conversei com Dona Cida, uma parteira de 97 anos que já fez o parto de mais de 300 crianças no interior do Brasil. Veja trechos da entrevista:
- É verdade que as parteiras dão uma palmadinha no bumbum quando as crianças nascem?
- Sim, isto é real. É como fosse um código de boas-vindas ao novo hóspede, que faz ele despertar para a misteriosa vida. Com palavras este sinal significa: "Nenê , acorde e seja bem-vindo"!
- O que a senhora acha da palmada educativa que os pais dão nos filhos rebeldes?
- Isto é perfeitamente normal.
- Eu , meus irmãos e primos fomos criados a base de surra. Por isto é que na minha família não existem marginais, todos são honestos e trabalham. Contudo, conheci pessoas que foram criadas com total liberdade e hoje encontram-se presas em celas de cadeia. Isto não quer dizer que toda criança que teve uma educação liberal vire um bandido. Conheci pequenos que tiveram este tipo de educação em que podiam fazer de tudo. Não viraram marginais, mas, em compensação, transformaram-se em pessoas fracas de moral. Pois na casa os pais passaram uma imagem da atmosfera exterior, como se fosse um mundo cor-de-rosa. Na hora de assumir as responsabilidades do mundo adulto, estas pessoas entraram em conflito porque não souberam como lidar com as frustrações. Por isso algumas delas partiram para os vícios de drogas e álcool. Já outras tentaram o suicídio. Pois é, a palmada de amor tem o poder de deixar as pessoas espertas.


Entrevistando um Sadomasoquista
Para elaborar este artigo entrevistei um amigo que é adepto do sadomasoquismo, uma maneira de sentir prazer através da surra. Para preservar a identidade dele, vamos chamá-lo aqui de Xenônio:
- É verdade o mito de que os sadomasoquistas aderem a este tipo de prazer porque levaram palmadas educativas quando eram pequenos?
- Eu não sei quanto ao resto do mundo, mas no meu caso e de alguns amigos meus que seguem a linha afetiva do sadomasoquismo, todos nós apanhávamos dos nossos pais ou avós quando fazíamos algo errado.
- Você acha que seus pais estavam certos ao darem as palmadas educativas? Elas seriam uma prova de amor?
- Sim, meus familiares tinham razão ao me oferecerem este tipo de corretivo. Se eu não recebesse este tipo de palmada, talvez hoje eu fosse um marginal. Por isso tenho certeza de que a palmada educativa é uma prova de amor. Tanto que a minha mãe sempre gritava, antes de me dar algumas chineladas: “Isto dói mais em mim do que em você!"
- O que, realmente, levou você a ser um praticante do sadomasoquismo?
- Para ser sincero creio que, realmente, foram as surras educativas que recebi quando era criança dos meus pais. Quando completei 21 anos de idade, as palmadas de amor acabaram. Mas eu sempre sentia falta. Naquela época tive contato com o sadomasoquismo e gostei. Hoje, tenho 40 anos e toda vez que faço algo de errado sinto falta de levar uma palmada.
- Alguns psicólogos acham que o sadomasoquismo é uma doença. Qual sua opinião sobre isto?
- Puro preconceito. Mas quero deixar claro que nem toda criatura que recebe palmadas educativas na infância vira sadomasoquista. Por exemplo, os meus irmãos receberam estas palmadas e não são sadomasoquistas.

Como Criar um Marginal
Este assunto me lembrou de um texto do pastor Johnson (sobrenome omitido para preservar sua identidade) chamado “Como Criar um Marginal":
- Ainda bebê nunca diga “não“ a ele.
- Não compre presentes apenas no Natal ou no aniversário. Satisfaça a vontade do seu filho sempre.
- Nunca dê palmadas educativas quando ele aprontar algo grave.
- Sempre dê razão ao seu filho quando alguma autoridade, como uma professora ou um policial, reclamar dele.
- Nunca ofereça conforto religioso, deixe que ele complete 21 anos para decidir isto.
- Não permita que ele ajude nas tarefas domésticas.
- Ensine seu filho dirigir, ainda menor, e dê as chaves do carro mesmo que ele não tenha carteira de motorista.
- Faça seu rebento experimentar bebidas alcoólicas desde pequeno e diga que não há problemas em beber socialmente.
- Pronto, ao seguir estas instruções você terá um perfeito marginal.


Conclusão
A palmada educativa tem o seu devido valor. Não estamos falando de espancamento, que é algo totalmente diferente. Fazemos referência àquela surrinha apenas nas nádegas, quando a criança apronta algo desagradável mesmo com os pais tendo chamado a atenção para o ato mais de três vezes.
Alguns psicólogos são contra a palmada educativa argumentando que ela só funciona no momento da travessura. Mas eles se esquecem que esta surra de amor gera algo chamado reflexo condicionado. Pavlov estudou este fenômeno com cães. Ele apertava uma campainha toda vez que dava comida para o cachorro. Então, ele notou que, mesmo não tendo alimento no local , o cão salivava toda a vez que escutava a campainha. A mesma coisa acontece com o ser humano, se todo o momento que a criança fizer algo errado levar uma palmada educativa, logo ela saberá que a atitude sapeca que cometeu é reprovada socialmente.
Existe uma única e verdadeira surra de amor: é a palmada educativa de mães e avós.




Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Marcas De Amor


A gente nasce e “leva” surra a vida toda. Cresce apanhando da vida, que sempre nos ensina no final. E não é diferente no amor, não. Quem nunca levou tanto tapa do amor que chegou a dizer “chega, não aguento sofrer mais!”?
É, nós sofremos porque, em algum momento da vida, deixamos de ser alvo deste sentimento em nome do mesmo. Sofremos, choramos, nos entristecemos, temos raiva, tudo por algo bom, que é o amor. E aí, quando ele dá lá um socão na cara da gente, nós levamos, ficamos pior ainda, mas nos levantamos. E sabe o que é mais engraçado? É que todos nós, mesmo que tenhamos marcas destas surras de amor, ainda temos a capacidade de nos regenerar, cicatrizar-nos e curar-nos, aprendendo a amar. É assim que a gente não “leva” mais deste sentimento. É assim que ganhamos marcas de amor.


Bianca Nascimento

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tema da semana: Surra de Amor

Vai encarar?



- Gostou ?
- Ãããn?
- Gostou do carinha surfistinha ?
- Quêê ?
- Ah, não te faz, Andréia ! Te vi sacando o carinha de terno cinza, com pinta de surfista.
- Como é que é, Alberto ?!
- Aquele ali ó, que tá dançando com tua amiga...
- Mas de onde tu tirou isso, criatura ? Primeiro, que estamos casados, segundo que ele está dançando com a Vivi.
- Ah, não finge, Andréia...
- Olha, Alberto... é a terceira festa de casamento das minhas amigas que tu estraga com esse teu ciúme doentio.
- Se tu não aprontasse...
- Eu ?? Eu não sou tu, Alberto. Não sou tu! E vamos voltar pra mesa! Não quero mais dançar.
- Não! Vamos ficar aqui na pista. Assim tu continua encarando o bonitinho....
- Aaaaaai! Não me puxa!
- Andréia... volta aqui!

....

- Amiga, tenho que ir...
- Ah, Déia... Já?
- Já. O Alberto surtou de novo. Viajou que tô encarando o carinha que tá dançando com a Vivi.
- De novo essa história? É a terceira festa que ele estraga, Déia!
- É, eu sei. Não aguento mais. E pior, que ele bebeu horrores... tô sentindo que a noite vai ser longa. Bom, tenho que ir... Amiga, estou muito feliz por ti! Que Deus abençoe a união de vocês.
- Obrigada. Te cuida. Falamos na volta da nossa lua-de-mel.
- OK... Divirtam-se e aproveitem Bali por mim.

....

- Onde tu pensa que vai?
- Pra casa, Alberto. Aqui não fico mais passando vergonha e sendo agredida por ti.
- Agredida? Só te dei um puxãozinho pelo braço!
- Começa assim... e não me segura. Me deixa ir.
- Vai como? A chave do carro tá comigo.
- É, eu sei. Mas a chave da casa tá comigo e, depois que casamos, aprendi a levar dinheiro na bolsa, no caso de acontecer algum “imprevisto”. Como esse. Táxi! Tchau, Alberto. Boa festa.
- Déia! Volta aqui! Dééiaa....

...

- Aaaai! Sai de cima de mim! Que horas são ?
- Não sei. Tá quase amanhecendo.
- Que nojo! Tu tá cheirando a bebida... sai daqui!! Me deixa dormir.
- Quero transar.
- Transa com a almofada, me deixa em paz, seu ridículo.
- O quê?? Eu sou ridículo mesmo! Te acompanho no casamento da tua amiguinha e faço papel de ridículo enquanto minha mulher encara um surfista.
- Tu surtou, Alberto... surtou! Não sou tu. Agora, me deixa em paz e me largaaaa!
- Quero te comer.
- Aaaai, me larga!
- Tá com medo de ficar de costas pro teu maridinho?
- Sim! Me larga, seu louco!! Aaaaaaaai!
- Desgraçada!
- Aaaaaaai! Alberto pára! Aaaai! Pára, pelo amor de Deus... tu tá me machucando!
- Vagabunda... pra que me chutar ?
- Pra tu parar de me agredir ! Não quero nada contigo, ainda mais à força. Saaai daquiii! Saaai!
- Pára de gritar, sua louca! Cala a boca!
- Aaaai!!! Cachorro... tô sangrando... minha boca tá machucada. Meu corpo dói... Some daquiiiiii!
- Daqui eu não saio. E pára de chorar. Não te faz de coitadinha.
- Tô com dor de cabeça!
- Ah, um clássico! Conta outra...
- Conto. Você também está com dor.
- Eu não!
- Dor de cotovelo!
- Ai! Você me acertou nos bagos!
- Foi sem querer. Tô só tentando me afastar de você.
- Não seja por isso, eu te afasto.
- Grosso! Você me derrubou da cama!
- Hoje tá quente, tá mais geladinho aí no assoalho.
- Quer frio, é? Quer frio? Então me dá essas cobertas!
- É assim? Então aproveita e leva esse travesseiro.
- Ai, não me bate!
- Ué, antes você não gostava de guerra de travesseiro?
- Isso era antes de você ter virado um cavalo. Agora só topo se eu puder colocar um ferro de passar dentro da fronha.
- Vai, pega lá. Eu boto um cactus dentro do meu travesseiro.
- Mais espinhoso que essa sua barba mal feita não vai ser.
- Antes você gostava dela roçando na nuca.
- Antes! Antes! Antes! Antes você não era um porco espinho.
- Antes você não era essa vaca atolada!
- Quer outro chute nos bagos?!
- Experimenta! Experimenta!

...

- Calma, calma, senhores. Vou responder a uma pergunta por vez.
- Doutor, qual a causa mortis?
- Bem, o casal já foi trazido bastante debilitado. Não sabemos quem os espancou, foram encontrados desacordados no quarto.
- Doutor, mas chegaram vivos, não foi?
- Sim, nós mesmos estamos confusos e não sabemos o que de preciso temos para informar a vocês da imprensa, mas foi isso: eles chegaram vivos, sim. Faleceram aqui.
- Qual a suspeita?
- A causa mortis nós sabemos, mas as circunstâncias ainda são confusas. Quando os dois chegaram no hospital, resolvemos deixá-los juntos em um mesmo quarto, pois acreditávamos que se sentiriam melhor ao recobrar a consciência.
- E recobraram?
- Sim, uma enfermeira testemunhou quando abriram os olhos, então ela veio correndo até um de nossos médicos para contar. Quando voltaram ao quarto, os dois estavam mortos.
- Como morreram?
- Foi tirado o respirador do marido. A esposa também morreu asfixiada, só que por um travesseiro. E o mais estranho é que o assassino deixou o corpo dele sobre o dela. Provavelmente foi uma tentativa patética de fazer parecer que o marido matou a esposa com o travesseiro. Também foram encontradas digitais dela no tubo do respirador, ou seja, o assassino com certeza colocou os dedos da mulher no equipamento para parecer que ela é que o tinha tirado do marido.
- O senhor está sabendo que o caso já causou comoção nacional?
- Sim, já. Os familiares e amigos garantem que era um casal excepcional. Ninguém consegue imaginar qual motivo levaria alguém a querer matá-los. Sabemos também que depois da vigília que estão fazendo em nossa capela ecumênica, os fiéis farão uma passeata.
- Reivindicando o que?
- Maior segurança. Como pode um casal que se ama ser atingido assim dentro de casa, e no próprio leito?
- E quem os atingiu?
- Daí os senhores terão de indagar a polícia.
- Mas não há nenhuma suspeita?
- Não há nenhuma pista até agora. Mas ao que parece já há um suspeito preso.
- Quem?
- Terão de perguntar o nome à polícia. Só sei que é um rapaz de terno com jeito de surfista. Próxima pergunta...





Karime Abrão e Mario Lopes

domingo, 29 de novembro de 2009

A verdade nua e crua




Já que o tema da semana é livre, gostaria de aproveitar para fazer algumas reflexões sobre a complexa relação homem e mulher, essa eterna “guerra dos sexos” e o que os filmes podem nos ajudar a entender.

Esse final de semana assisti ao filme “A verdade nua e crua”

http://www.youtube.com/watch?v=emOPbYWC1ms. Adorei, não só pelos atores que eu gosto muito (ênfase para Gerard Butler) como também pelo enredo que nos faz refletir: será que é tão difícil arranjar um namorado? Por que estamos agindo da maneira errada?


Segue algumas das dicas do sedutor Mike Chadway para Abby Ritcher:

Regra nº 1: Os homens são simples
Comentário: Esqueça todos os tipos de livro de auto-ajuda que você conhece sobre o tema, os homens só se importam se você tem um par de seios, uma bunda e se você sabe fazer um boquete gostoso.

Regra nº 2: Os homens são atraídos pelo seu visual
Comentário: Use um sutiã que queira dizer: Olá, eu sou gostoso.

Regra nº 3: Homens gostam de cabelos longos
Comentário: Homens gostam de algo pra agarrar além da sua bunda.

Regra nº 4: Não conte seus problemas para os homens
Comentário: Os homens não escutam e nem se importam. Quando eles perguntam ‘Como você está?’ é só um código para ‘deixa eu meter meu pau na sua bunda’.

Regra nº 4: Você deve ser duas pessoas
Comentário: Seja a mistura de uma bibliotecária e uma stripper.

Regra nº 5: Ria do que ele disser
Comentário: Para os homens a autoconfiança acaba na privada.

Regra nº 6: Satisfaça a você mesma
Comentário: Se nem você mesma faz sexo com você, por que um homem gostaria de fazê-lo ?

Regra nº 7: Não discuta a relação
Comentário: Os homens, assim como os macacos bonobos, usam o sexo para acabar com uma discussão.

No inicio do filme, Abby Ritcher vai ao encontro de um pretendente e enumera uma lista do que procura num homem, faz pesquisa sobre o perfil dele, nunca perde o controle da situação, vem armada, prevenida.
Claro que no filme, isso é mostrado de maneira exagerada, mas o que eu fico realmente pensando, será que a gente, até que inconsciente não faz isso mesmo, idealiza demais esse tal homem que nunca chega?
Valoriza demais o controle, ou auto-controle, quer idealizar, planejar e realizar.
Acho que o filme exagera em algumas partes e no machismo do personagem de Butler, mas no fundo, as entrelinhas confirmam algumas teorias.
Acho que a mensagem principal que o filme deixa é que as mulheres levam tudo muito a sério e acabam sozinhas, enquanto os homens levam tudo mais na esportiva e acabam tendo inúmeros relacionamentos superficiais que não levam a nada, porque eles mesmo barram qualquer tentativa da mulher em concretizar qualquer relacionamento.
O casal chega a um final feliz porque consegue finalmente o equilíbrio entre esses dois opostos.
Está disponível na internet um jogo sobre o filme - http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/#


Emmanuela Minari

Homem É Tudo Palhaço


Será que o velho ditado: “homem é tudo igual” é verdadeiro? Não sou de fazer propaganda, mas não posso deixar de falar sobre o blog “Homem é tudo Palhaço” - http://www.tudopalhaco.blogspot.com/. Criado em 2002 por quatro jornalistas, conta histórias de relações mal sucedidas provocadas por mancadas masculinas. É recorde de acessos e conta com participações vindas de todo o país. Os posts são engraçadíssimos. A mistura de sarcasmo e bom humor é a receita que permite ao leitor se identificar com as situações vividas por eles.
Entre os inúmeros posts, que infelizmente parecem confirmar este ditado, encontrei uma espécie de “dicionário” com definições bem interessantes (e algumas hilárias) sobre os mais variados tipos de palhaços.
E eu, como boa desaforada que sou, achei interessante divulgá-lo aqui para que nós classifiquemos os palhaçinhos à nossa volta. Com certeza você já se deparou com um desses. Divirtam-se!


Dicionário Palhaço

Palhaço Micareta: Toda festa pra ele é como carnaval em Salvador. Não basta ficar com uma. Tem que ficar com uma, duas, três ou quatro. E pode ser em casamento, batizado, roda de samba, velório, festa de fim de ano da firma e até ceia de Natal.

Palhaço Platão: Adora filosofar. É cheio de frases de efeito. É um poço de conhecimento da natureza humana, sobretudo da natureza masculina. Defende suas teses com pérolas como: “um boquete e um joguinho de futebol fazem os homens felizes” ou “mulher não gosta de homem sincero”. Em geral, a profundidade de seus pensamentos, é como água de piscina infantil: só vai até a canela.


Palhaço Alto Falante: É aquele que gosta de se gabar. Seu prazer é falar em alto e bom som que “já pegou fulana, comeu sicrana.” Quanto mais gente por perto pra ouvir o quanto ele é bom, melhor. No geral, ele só come (ou comeu) metade (ou menos) das mulheres que ele diz ter comido (estar comendo).

Palhaço Repetitivo: Versão mais sofisticada do palhaço "Tira o som e deixa a Imagem". Tem a péssima mania de cantar mulheres com a mesma cantada e, ainda pior, mulheres que se conhecem. Além de repetitivo é burro.

Palhaço Biba: Quer ser bicha, mas não assume. Tem muita curiosidade, tem o alvará, mas não coloca a firma em funcionamento. Às vezes, ele é muito amigo do seu namorado e fica falando mal de você por aí. É o pior tipo: bicha enrustida e ciumenta.

Palhaço Blog Star: Aquele que pede para ser citado no picadeiro. Que força palhaçadas para ser reconhecido como palhaço. OK, né...

Palhaço Cagão: É covarde. Tem medo da mãe, da namorada, da irmã, da esposa. Prefere fazer outra palhaça a tentar consertar uma. Sempre acha que vai ganhar uma bronca. Depois de uma boa palhaçada se esconde. Ver também palhaço Pique Esconde.

Palhaço Pique Esconde: Ele marca de sair com você e... não aparece! Ele te liga chamando pra almoçar e... não aparece! E, claro, sempre desliga o telefone depois do sumiço. Aí ele conta até cem, mil ou cinco mil e, como você - óbvio - não o encontra, ele surge, com a maior cara de pau do mundo dizendo: “ih... esqueci”.

Palhaço Pinóquio: Por razões até hoje desconhecidas, não pode mentir. Ou não consegue. É suuuuper sincero, suuuuper verdadeiro a níveis que beiram a joselitice. Algo na linha: "olha, eu fiquei com você, você é legal, mas eu tenho que ir pra casa porque tenho uma filha pequena". Sem comentários!

Palhaço Cristão: Sente culpa, muuuuita culpa. É capaz de trair a namorada, mas repete incessantemente que não se sente bem fazendo aquilo. Quer largar a mulher, mas não abre mão do trio propriedade-religião-família. É uma variação do palhaço Cagão.

Palhaço Auto Estima: Esse é admirável. Porque muitas vezes o bruto é feio, tem barriga, cara de nerd, corpo caído, “pau de 10 cm” (observação made in Mila)... enfim, sex-appeal zero. Mas é capaz de olhar para você e mandar na lata: “olha... você tá meio gordinha, né?”, “olha… que tal pegar um sol?”, ou “você tá meio pálida”. É uma variação do palhaço Pinóquio.

Palhaço Rádio Relógio: Ele sai contigo e puxa os papos mais bizarros possíveis. Algo do tipo: “você sabia que uma mosca come 1450 vezes por dia?” A intenção, na maioria dos casos, é de impressionar. Quase sempre, o tiro sai pela culatra.

Palhaço Discovery Channel: Versão mais sofisticada do palhaço Rádio Relógio. Ele não puxa papos bizarros, mas procura sempre uma explicação "científica" pra tudo. Algo do tipo: "vi num documentário que os esquimós comem gordura para... blá, blá, blá". Chato pra cacete.

Palhaço Eleitoral: Só promete. "vamos casar", "vamos ter filhos". Não é preciso dizer que tudo fica somente na promessa. Geralmente eles fogem na hora que o bicho pega.

Palhaço Fantasminha (ou Gasparzinho): Some. Desaparece. Evapora. Você está na boate, dá uma distraída e... puf!

Palhaço Flanelinha: Ao invés de transar contigo decentemente, fica repetindo: "faz isso, faz aquilo, põe a perna aqui, põe o braço aqui.” É preciso paciência, muuuuita paciência.

Palhaço Sexo Oral: Promete que vai te comer de pé, deitada, sentada, de quatro, flutuando e o escambau a quatro. Narra orgasmos incríveis, diz ser um amante sensacional, mas tudo fica por isso mesmo. Muito papo e nada de sexo. É uma variação do palhaço Eleitoral.

Palhaço Mãe Valéria de Oxossi (ou mãe Diná): Assim como estas famosas mães de santo - que prometiam trazer a pessoa amada em três dias - esse palhaço promete. Ô, como promete! Noites tórridas, sexo inesquecível, drinks luxuosos em lugares exóticos, amor e paixão. Mas não em três dias. Pior: promete na hora. E pior ainda: nem precisa dormir ou ir ao banheiro para não cumprir. Outra variação (horrorosa, diga-se de passagem) do palhaço Eleitoral.


Palhaço Vovô Garoto: Nem todo mundo nasceu para ser Evandro Mesquita, né? Tem homem que não sabe disso e com 40, ainda acha que tem 20. Então, mesmo com 40, ele se veste como alguém de 20, fala como alguém de 20 e, pior, faz coisas que alguém de 20 faria. Quando são grisalhos então... é para sentar e chorar.

Palhaço Vovô Moleque: É uma variação do palhaço Vovô Garoto, só que pior. Ele está na casa dos 40, às vezes já beirando os 50, mas é arteiro como um moleque de 18. Acha que casamento é micareta, faz aquele gênero que quer pegar todas, usa gírias em timing errado e, muitas vezes, mesmo sendo avô de verdade, se acha assim: um baby cheio de amor pra dar.

Palhaço Milhagem: É um aprendiz de palhaço. Apaixonado, dedicado, mas sempre palhaço. Acha que relacionamento é como programa de milhagem: para cada dia de bom comportamento, recebe um vale-palhaçada. São bonzinhos, portanto merecem crédito.

Palhaço Comentarista: É aquele metido a saber e comentar de tudo. "Homem não gosta de mulher tatuada" ou “homem não gosta de mulher que bebe." É metido a ser a pedra filosofal da masculinidade. Pode ser uma variação do palhaço Rádio Relógio.

Palhaço Indeciso: É aquele q não sabe o quer e quando finalmente decide, ainda acha que você tá disponível. E ainda por cima vem com aquele jeito canalha, pegando na sua mão com uma cara de quem diz: "eu sei que você tá querendo".

Palhaço Cachorro: Um clássico da espécie masculina. Praticamente “default”. É aquele palhaço casado, mas que em algum momento precisa sair para dar umas voltinhas, senão enlouquece. Quando digo voltinhas, todo mundo entende que não é ir até esquina, fazer xixi e voltar, né?

Palhaço Cobra no Bolso: Antes fosse o que vocês estão pensando. O palhaço em questão não coça o utensílio da calça porque é pão duro. Muquirana mesmo. Daqueles que te chama para sair e vai logo dizendo que tá sem dinheiro ou que divide a primeira conta até nos centavos ou que come o seu petisco, mas só quer pagar a bebida.

Palhaço Glenn Close: Tipo perigoso. Depois que você termina com ele, o bruto transforma sua vida num inferno. Faz ameaças, liga para sua casa de cinco em cinco minutos, tem crises de ciúme... todos lembram de "Atração Fatal", certo?

Palhaço Janete Clair: Esse é um tipo único na dramaturgia brasileira. Ele olha para você, te azara e logo depois do primeiro beijo já quer casar, ter filhos, comprar uma casa no campo e enchê-la de labradores. Quer sair do bar ou boate direto para o banco e abrir uma conta conjunta. Mas cuidado: esse tipo de palhaço muda depois de uma noite de sono. Contra indicado para meninas de coração fraco.

Palhaço de Monte Cristo: Faz a palhaçada, deixa aquele rastro inacreditável e some. Dias, semanas, meses e até anos depois, reaparece. Às vezes com um novo visual, outras se gabando por estar "disponível" mais uma vez: "ô... se quiser, o bonitão tá aqui." A volta dos que não foram perde, né?

Palhaço Nelson Rodrigues: Tem de dois tipos: aquele que te chama para sair e te convida para “tomar um Chicabon” ou que usa termos como motoca, decalque, serelepe, etc. E também aquele saído diretamente das páginas de “A vida como ela é”. Preserva as instituições familiares: casa com a namoradinha do segundo grau, cumpre suas obrigações como marido, tem uma amante, é funcionário público e acha que sexo com prazer é só com puta. Sair para se divertir com a mulher, nem pensar.

Palhaço Pachecão: Te troca sem culpa, sem remorso e sem arrependimento pelo time de futebol. Em época de Copa do Mundo então… ele se esquece da sua existência e concentra todas as suas forças em outros 22 palhaços correndo atrás de uma bola.

Palhaço Bem de Consumo: Extremamente apegado a bens de consumo duráveis e não-duráveis. No melhor estilo agente do IPEA, presta atenção em quantos DVDs, TVs, ar-condicionados, geladeiras e fogões você tem em casa. E quando ele acha que seu eletrodoméstico está assim... digamos, defasado; não se acanha e critica. Claro, o moço quer estar sempre up-to-date no quesito inovação.

Palhaço Perfil do Consumidor: Não tem assunto. Em geral, acaba de te conhecer e começa com um questionário pseudo-intelectual do tipo: "qual seu escritor preferido?”, “e a sua música?”, “e o seu filme?”. Recomenda-se estar de porre pra aturar palhaços assim.

Palhaço Reprodutor: Este só quer te comer para fins reprodutivos. Quer encher o mundo de palhaçinhos e acha que seu sistema reprodutor merece tal missão. Cuidado: na primeira noite de amor pode interromper o coito com a pérola: “quero um filho seu”. Recomenda-se nesses casos a simulação de uma forte crise renal ou ataque cardíaco.

Palhaço Silvestre: Assim como os animais que habitam as vastas savanas, tundras, cerrados, florestas tropicais e planaltos deste mundão, os palhaços silvestres não gostam de movimentos bruscos. A aproximação é feita aos poucos, com cautela. Uma vez dominado, ou seja, uma vez beijado ou deitado em sua cama, não faça movimentos bruscos ou afoitos. Pegue a sua noz e fique ali... todos os dias alimentando o esquilinho...

Palhaço Cozinheiro: Sua arte é cozinhar... te deixa em banho maria, mas comer que é bom... nada!

Palhaço Mestre Cuca: Primo do palhaço cozinheiro... quase um Chef, exímio na arte de cozinhar... te deixa em banho maria, coloca molho, refoga, assa, frita, mas comer que é bom... nadinha!

Palhaço Professor Pasquale: Também conhecido como palhaço Revisor. Ele está sempre atento ao uso do português correto. Um vigia incessante da crase, concordância e regência. Seu último alvo é o dicionário palhaço. Ele lê atentamente, se identifica, vê os erros, corrige e comenta. E muito.

Palhaço TPM: Seu lema é o mau humor. Reclama das suas roupas, resmunga dos seus posts, acha todas as suas histórias ruins. Reclama do seu cabelo, da sua voz, da cerveja quente no dia do futebol, do calor, do vento, da chuva, de tudo! Costuma encher os blogs de comentários ácidos e azedos. Mas, cuidado: geralmente eles ficam uma gracinha quando zangadinhos. Podem enganar, portanto, fiquem atentas.

Palhaço IBGE: Muito comum em salas de bate-papo e MSN. Suas três primeiras perguntas invariavelmente são: "De onde tecla?", "Como você é?”, "Tem foto?"
- se bem que a moda agora é perguntar: “Você tem cam?”

Palhaço INSS: Conta as palhaçadas por “tempo de serviço”. Geralmente são os palhaços mais velhos, que se gabam de serem mais experientes; e portanto, mais vividos e palhaços que os outros.

Palhaço PSDB: Tal e qual o partido, está sempre em cima do muro. Não sabe se quer, se não quer, quando quer diz que não, quando não quer diz que sim.. não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Resumindo: um chato.

Palhaço Tira o som e deixa a Imagem: Quanto mais tempo calado, melhor.

Haja picadeiro pra tanto palhaço!

E você, caro leitor, acrescentaria mais algum verbete a este dicionário?



Camila Souza

sábado, 28 de novembro de 2009

Reciclar É Viver

Nos dias de hoje ninguém presta atenção, ou pelo menos não a devida atenção, ao que está acontecendo com o nosso mundo. As águas, as plantas, os animais... a natureza como forma completa está perdendo seus pedaços, aos poucos.

O reflexo do comportamento inadequado salta todos os dias aos nossos olhos, cada vez mais, e pior.

Quando eu era criança ninguém falava em aquecimento global ou das consequências desastrosas que a natureza sofreria se não cuidada de uma forma responsável. Mas elas aconteceram, e acontecem. A mídia noticia sem parar o descompasso entre o homem e a natureza. Parte de nós, raça humana, e muitas vezes inconscientes dos atos que cometemos, ajudamos a estragar, ou simplesmente deixamos de colaborar. Mas mal sabemos que com atitudes simples podemos fazer muita coisa pra reverter esse quadro. Um pequeno passo pode ser o início da conscientização da maioria e quem sabe a tempo consigamos deixar um planeta melhor para os que ficarão e virão depois de nós. Vamos reciclar. Separar o lixo que produzimos. Destiná-lo ao lugar certo está ao alcance de muitos e pode, com toda certeza, iniciar uma nova corrente para o futuro.

O assunto está no ar, o acesso à informação e ao conhecimento já é possível a muitos. A notícia tem que ser espalhada e assim ter o valor que merece. Precisamos cuidar de onde vivemos para ter onde viver. A iniciativa existe, tem muitas ideias por aí que envolvem esse assunto, informam, esclarecem, colocam de verdade essa realidade em pauta com o objetivo de conscientizar. É lá do comecinho que se deve entender. Se nos meus tempos de criança houvesse a oportunidade que temos nos tempos de hoje, talvez a humanidade estivesse em melhor situação. Infelizmente não foi assim, mas agora pode ser a hora de mudar a mentalidade das pessoas e melhorar o panorama geral. Basta começar.



Liliana Carvalho
Ensaio Sobre A Maldade




Já vi o mal se manifestar e vocês também vêem todos os dias, quanto mais eu observo as pessoas, mais eu me conscientizo que elas possuem sentimentos ruins dentro de si. Quantas vezes já nos decepcionamos com alguém, quantas vezes fomos vítimas de fofocas e julgamentos, e, o pior justamente, pelas pessoas que amamos, por nossa família, nossos amigos. Nesse sentido, como podemos confiar nos outros, partilhar a nossa vida, se a qualquer momento a mão amiga que acaricia pode ser aquela que te dará um tapa na cara?
Não estou generalizando. Acredito na bondade das pessoas, no entanto, não sou tão ingênua em acreditar que esse sentimento está presente em todos os corações, pelo contrário, existem sim pessoas boas, mas na maioria das vezes, confesso que nem sempre gosto do que vejo.
Num jardim cheio de flores podem estar espalhados os mais diversos tipos de cobras. Convivemos com pessoas diferentes, humores diferentes, concepções diferentes, mas o que eu não me conformo é que os sentimentos de maldade às vezes superam os de bondade.
Existem pessoas que vivem simplesmente para criticar, falar mal, “cuidar” da vida dos outros, fazer calúnias. Elas se aproximam, ficam amigas, tentam fazer parte da sua vida, aí você desabafa, conta seus problemas, expõe sua intimidade e, de repente, é como se sua vida estivesse sendo publicada num jornal, e percebe que virou até noticiário.
Pior são aquelas pessoas que acabam de conhecer alguém, e já vão soltando “flechadas”. Pode ser o novo colega de trabalho, a amiga bonitinha do namorado, a maldade e a inveja aparecem, então o objetivo é buscar uma brecha, um ponto fraco, pode ser a roupa que a pessoa está usando, os gestos, o jeito de falar, a aparência, tudo é minuciosamente analisado e os defeitos são imediatamente contestados.
O fato é que as pessoas tornaram-se individualistas, maldosas, preocupadas consigo mesmas e com a opinião dos outros. Não são mais prestativas, solidárias, sinceras. Infelizmente, muitas vezes, fecham-se em seus mundinhos e escondem dentro de si o que existe de mais especial e belo.
Precisamos ser nós mesmos, amar mais, conversar mais, chegar mais perto do outro, olhar nos olhos, fazer novas amizades, “querer bem”, torcer pelos sonhos do outro. Se começarmos a valorizar demais os espinhos da roseira, esqueceremos de prestar atenção na beleza dos botões, e eles poderão deixar de florescer.
Jamais devemos nos deixar corromper pelo ódio, mau humor, inveja, fofoca, pessimismo. Sei que é quase impossível ficar livre desses tipos de sentimentos, mas a melhor forma de evitá-los é não deixar que eles nos afetem e interfiram na nossa vida e no relacionamento com as pessoas que gostamos. Afinal, ninguém é perfeito.


Elaine Souza

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Encantos e Desencantos – Parte 2



Meu primeiro primeiro dia de aula, após quase 5 primaveras completas, foi amavelmente registrado por minha mãe. Na foto, uma menininha de 1,15 metro de altura, de cabelos presos em um rabo de cavalo alto, exibia um sorriso dentuço de ansiedade e grandes joelhos ossudos parcialmente cobertos por um uniforme azul piscina. Ao seu lado, um menino de 10 anos segura forçadamente a mão da irmã e não consegue esconder o ciúme totalmente a mostra no seu bico de birrento, enquanto sua mãe, com a câmera na mão, não pára de dar recomendações de poses para o seu casalzinho.
Sorte que o ritual só veio a se repetir algumas semanas depois, quando eu, ainda menininha de 5 primaveras e 1,15 metro de altura, tive que ir à aula fantasiada para um dia de brincadeiras. De pernas finas a mostra em um vestido de Pedrita, eu balançava meu cabelo de um lado para o outro para ver se a tiara em forma de ossinho iria cair. Não caiu.
As fotos eu tenho até hoje e muito dos outros bons momentos que não foram fotografados, estão registrados em minha mente com a mesma verossimilhança que um filme de alta resolução.
A imagem de minha professora mais querida, por exemplo, vive intacta na minha memória como se ela fosse minha vizinha e eu continuasse a vê-la todo dia, passeando em frente de casa com seu cachorro e me dando bom dia com voz costumeira.
Até hoje, quando conheço alguém homônimo a ela, lembro-me de uma mulher altíssima, de pernas longas e esguias, cabelos compridos e lisos, e o mais marcante: um enorme topete adornando seu belo rosto delicado. Idolatrava aquela professora a tal ponto que deixava o meu cabelo crescer para ficar igual ao dela, e pedia, diariamente, para que minha mãe fizesse um topete tão lindo quanto o da Ana Claudia.
E esse carinho era recíproco. Desde o início das aulas, a professora encantou-se com meu jeito alegre e desinibido de criança. Além de educada, eu era prestativa e inteligente, não chorava de saudades de casa e obedecia a qualquer pedido. A criança perfeita.
Um dia, estávamos na sala de aula pintando desenhos com giz de cera, quando a professora Ana Claudia falou pra arrumarmos nossos materiais porque iríamos assistir a um filme no anfiteatro. Contente com a notícia, guardei minhas coisas com tanta pressa que a metade dos gizes caiu ao chão. Agachei-me para pegar tudo e, quando voltei, a sala já estava vazia.
Fiquei duas horas trancada na sala, já sem mais nenhuma reação nova para inventar. Já havia chorado, tentado dormir, gritado por ajuda, e nada. Só me restava esperar.
Não sei se por falta de criança ou por peso na consciência pelo ocorrido, ela, alguns meses depois, me escolheu para ser daminha de casamento juntamente com um outro colega de classe.
Senti-me honrada, e me divertia com os preparativos para a cerimônia. Adorava os ensaios, cuidava para decorar todas as instruções e, a cada dia que passava e o dia da festa se aproximava, eu ficava mais e mais nervosa.
Até que o dia chegou.
De unhas feitas, cabelo arrumado com um enorme arranjo prendendo o topete – ainda diferente do de Ana Cláudia, pulseirinhas e brincos de ouro, eu desfilava pela igreja disfarçando o nervosismo. O sapatinho, apertado em meus pés, e o vestido de babados pinicando cada centímetro quadrado da minha pele, não me desanimavam e me deixavam ainda mais concentrada no meu objetivo de, por nada no mundo, deixar as alianças caírem, tropeçar, cair, ou fazer qualquer outra coisa vergonhosa.
Como eu já estava preparada para entrar na igreja a qualquer instante, o momento em que a cerimônia foi iniciada aliviou minha tensão. Não andei nem tão rápido e nem tão devagar, como o ensaiado. Não esqueci de sorrir em nenhum momento e não houve nenhuma ameaça de tropeços ou tombos. Tudo havia ocorrido como o esperado.
Já no altar, eu estava isenta de preocupações. Meu único papel, a partir daquele instante, era esperar bem quietinha até que a cerimônia chegasse ao fim. E eu havia jurado pra mim mesma que faria isso com maestria.
No começo, eu prestava atenção a todas as palavras do padre, até que essas começaram a se misturar com alguns sons vindos dos convidados, e eu já não conseguia prestar atenção em nada. Meus pés, transbordando dentro dos sapatos novos, latejavam sincronicamente enquanto eu me apoiava cada vez em uma perna. Discretamente, óbvio. O vestido parecia estar recheado de pulguinhas me dando mordiscadas incessantes e minha cabeça doía repuxada por aquele arranjo tentando formar um pseudo topete.
Porém, até ali, as torturas estavam controláveis, mas a situação passou a ficar crítica quando minha bexiga começou a pedir por banheiro. Começou pedindo mansinha, bem baixinho, mas, como que braba por eu não estar atendendo seu pedido, ela passou a levantar a voz e partir para a ignorância. Chutava minha barriga com ódio, gritando: Deixa eu me esvaziaaaaar! Eu era obrigada a fingir que não a escutava. Não poderia sair do altar, sob o olhar de mais de 200 pessoas, nem sob risco de morte.
Mais do que nunca, eu queria calar a boca daquele padre. Meus pés, minha pele, minha cabeça, minha bexiga. Ah! Mas eu não tinha absolutamente nada a fazer, a não ser esperar até que a missa acabasse.
E nada de a missa acabar. Desesperada, cogitei algumas vezes em pedir licença e sair, mas a minha consciência falou mais alto. Minha mente guerreava contra meu corpo sob a paisagem de uma igreja e ao som de um sermão, e eu supostamente, deveria agir como juíza durante essa batalha.
Como eu havia ficado em cima do muro, sem declarar nenhum veredicto, os dois inimigos decidiram a luta sozinhos. Repentinamente, já sem forças para nada, senti um calor descer sob minhas pernas e molhar minha meia-calça até entrar sob os sapatos apertados. O líquido descia sem cessar, ao mesmo tempo em que aliviava minha barriga, e corava minhas bochechas.
Quando o líquido parou de escorrer, as lágrimas desceram sob meus olhos e o padre anunciou o encerramento da missa.
Minha vergonha era tanta, que não saí do lugar temendo que alguém visse a poça deixada para trás.
Logicamente, minha mãe não aceitou meu pedido de total sigilo sob o ocorrido, e contou tudo a Ana Claudia. Alguns meses depois, não sei se por educação ou por peso na consciência pelo ocorrido, ela aceitou o pedido da família em ser minha madrinha.
Ana Claudia, casada, deixou de dar aulas no meu colégio e, talvez por falta de problemas ou situações inusitadas a que se desculpar, não me ofereceu mais honra alguma.
Perdi a professora e a madrinha, mas hoje eu tenho certeza que meu topete é infinitamente mais bonito que o dela.



Letícia Mueller

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Plantando Meu Jardim


Comércio que daria certo nessa vida seria a produção de Sementes de Integridade. Um jardim com vários canteiros, plantações setorizadas de coisinhas simples que deveriam ser obrigatórias no kit que sai da fábrica de humanos, mas que por algum desvio na linha de produção, faltam a alguns, sobram a outros.
Poderiam existir caixinhas de caráter, de sobriedade, de comprometimento. Venderíamos ampolas com doses de sutileza, de organização, de carinho. Ou doses mais fortes de educação, inteligência emocional, respeito. As pessoas mais egoístas tomariam chás de amor ao próximo; as ambiciosas, pílulas de humildade; as larápias, injeções bem doídas de vergonha na cara.
Mas, esse jardim possível à mente é utópico ao frágil plano terrestre. E o que nos resta é simplesmente agir conforme o plano que nos é traçado. Parece triste, não é? Quantas vezes ficamos nos perguntando sobre algo que insistíamos em que não fosse dessa ou daquela maneira. Um amigo que perdemos, um amor que não volta mais, um trabalho que não pudemos concluir. A boa notícia é que não precisa ser triste, não, e que “planos traçados” são tão utópicos quanto aquele jardim. Explico...
Casualmente, descobri que se insistirmos em permanecer em uma etapa já terminada, perdemos a alegria e o sentido das etapas que poderíamos estar vivendo. E passamos a nos preocupar com o que não nos acontece e com o que acontece aos outros... Desviamos nosso propósito de vida. E aí vem a decisão que você tem que tomar: pode ficar lá parado, se recusando a dar um passo num luto eterno pelo que não tem mais, ou simplesmente reagir. “A vida é um eterno recomeço”, é a frase que tenho tatuada nas minhas costas, até que lembrei que fixá-la na mente importa mais.
Tudo passa e se desligar do que aprendeu é o primeiro passo para continuar a aprender. Abstrai, se foca em coisas novas, abre teu coração para novas experiências, novos trabalhos, novos desafios, novos amores. Eu escolho o que planto no meu jardim... se escolho espinhos, então terei um deserto árido para colher. Mas escolho regar as sementinhas que vieram no meu kit pra que floresçam de novo e desembolar os nós que se formaram no crescimento das minhas plantas mais antigas. Isso é um resgate ao que se chama ter amor próprio.
Mude... recicle sua vida, sua casa, suas roupas, seus amigos, seu modo de pensar... não deixe nada inacabado, finalize sem medo. Não espere que te entendam, que te reconheçam, que te ajudem, que te façam alguma coisa. Fim. Ponto. E comece outra história, outro jardim mais bonito ainda...
Ah, não é conselho não, não dou mais conselhos. Estou dividindo algo que estou aprendendo.
Não é fácil... mas quem disse que ia ser? E que graça teria?
Por fim: “Conhece-te a ti mesmo”, não tem que ser só uma frase do filósofo Sócrates. Experimente colocá-la entre suas Sementes da Integridade.


Angélica Carvalho

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Descubra o Seu Demônio


Vários estudiosos esotéricos descobriram que o anjo bom de cada pessoa está ligado ao mês em que ela nasceu. Porém, o que muita gente não sabe é que para cada ser existe um anjo contrário, um tipo de demônio que tende a atrapalhar a vida. Por incrível que pareça, existe um tipo de diabo para cada mês. Descubra o seu e saiba como combatê-los através desta lista.

Nascidos de 22 de dezembro a 21 de janeiro:
Nome do demônio: Súcubus. Descrição: era o gênio feminino que perturbava os homens em sonhos. Quando aparece: através da soberba e da ira.

Nascidos de 22 de janeiro a 21 de fevereiro:
Nome do demônio: Judas. Descrição: foi o apóstolo que traiu Jesus. Quando surge: por meio de deslealdade e fofocas.

Nascidos de 22 de fevereiro a 21 de março:
Nome do diabo: Fenrir . Descrição: é o demônio da preguiça em forma de lobo. Quando surge: através da preguiça e da fuga excessiva da realidade.

Nascidos de 22 de março a 21 de abril:
Nome do demônio: Leviatan. Descrição: é um dos príncipes do inferno. Quando aparece: através do orgulho, da vaidade excessiva e da auto-piedade.

Nascidos de 22 de abril a 21 de maio:
Nome do diabo: Pwcca. Descrição: é um demônio brincalhão. Quando surge : através do sarcasmo e da ironia.

Nascidos de 22 de maio a 21 de junho:
Nome do demônio: Belial. Descrição: é o demônio da vingança. Quando aparece: pela sede de vingança e excesso de ingenuidade.

Nascidos de 22 de junho a 21 de julho:
Nome do diabo: Abigor. Descrição: é o diabo da violência. Quando surge: nos momentos de ira e nas atitudes impensadas.

Nascidos do dia 22 de julho a 21 de agosto:
Nome do demônio: Asmodeus. Descrição: é o demônio que se acha no poder de julgar as outras criaturas. Quando aparece: nas horas de intolerância e preconceito.

Nascidos do dia 22 de agosto até 21 de setembro:
Nome do diabo: Archiri. Descrição: é o diabo com aparência de uma menininha. Quando aparece: nos momentos de medo, quando falta fé e na hora em que se cobiça o que é dos outros.

Nascidos do dia 22 de setembro até 21 de outubro:
Nome do demônio: Lilith. Descrição: é o demônio da sedução e beleza. Quando surge: nos momentos de vaidade, prazer e luxúria.

Nascidos do dia 22 de outubro até 21 de novembro:
Nome do diabo: Belzebu. Descrição: comandava os oráculos. Quando aparece: nos momentos de ambição e desonestidade.

Nascidos do dia 22 de novembro até 21 de dezembro:
Nome do diabo: Jezebth: é o demônio das falsidades. Quando surge: na intolerância e na preguiça.

Já descobriu o seu?
Então ligue-se com Deus, seu anjo protetor e com as forças do bem para combatê-lo .



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Segredos contidos


Toda mulher, sem exceção, tem um desejo sexual guardado no íntimo. Algumas têm um medo mórbido de expô-lo, com receio de o que os outros irão pensar. Outras não: já assumem, liberam , extravasam sem o menor pudor. E ainda há aquelas que liberam sempre com certa discrição. O problema é que os homens normalmente são vistos como os “garanhões” e “predadores”, o que não deixa de ter um fundo de verdade, afinal, o homem, em sua maioria, precisa e tem a necessidade de prevalecer sexualmente perante os demais machos e também perante nós, fêmeas. Porém, o que não enxergamos é que nós, mulheres, somos iguaizinhas, mas cada uma a seu modo. As mulheres também sentem desejos, possuem algumas “taras”, fantasias, pensamentos, vontades. Somos feitas de carne, osso, desejo físico e químico igual aos machos. Mulher não é feita somente para propiciar prazer, mas também pra ter... e garanto que uma mulher que sente prazer com seu parceiro, devolve em dobro!
Portanto, não tenham medo de libertar os desejos contidos em seus pensamentos. Busquem, inventem, experimentem. Conversem umas com as outras sobre o que pensam, o que querem, o que sentem e o mesmo com os seus parceiros. Intimidade com cumplicidade é fundamental!
Conte seus segredos a você mesma e realize-os. Uma mulher realizada vale por duas... para si mesma... e para o parceiro.


Bianca Nascimento

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Semana de tema livre

Quem Tem Medo Do Lobo Mau?




Qual a última lembrança que tu tens da tua avó?
O gostinho de doce caseiro feito com carinho especialmente para ti? O almoço de domingo com a família reunida ao redor da mesa? O cafuné com a mão macia, enquanto tu olhavas televisão deitado no colo dela? As histórias que ela contava enquanto te mostrava as fotos do passado? Aaah, ela está viva ainda e faz tudo isso? Permita-me te invejar.
Uma amiga, que já foi coadjuvante de vários textos aqui, foi morar no Ceará após formar-se no curso técnico de curtimento de couros há muitos anos. Estava estagiando em uma cidadezinha tão fim de mundo que lá não existia Coca-Cola. É. Comentou com a família essa “tragédia” e, quando voltou do estágio, em uma visita à casa de sua avozinha, uma garrafa de dois litros de Coca-Cola estava esperando por ela. Que amor, não?
Tenho boas lembranças como as que eu mencionei acima, mas de minha bisavó, que morreu em 2004 aos noventa e tantos anos. Ela sim, fazia um bolo de uva fofinho que ficava todo manchado do suco da fruta, uma delícia. Arroz doce, ambrosia, doce de abóbora, licor... Cuidava de mim e da minha irmã quando meus pais precisavam viajar ou quando minha mãe ficava sem empregada e precisava de alguém em tempo integral para cuidar de nós, pois trabalhava o dia inteiro até tarde da noite. Ia de ônibus de Porto Alegre até Novo Hamburgo bem feliz e faceira para cuidar da gente. Tinha mania de assustar eu e minha irmã fazendo “buuu!”. Um dia, ela estava cozinhando, apareci por trás dela e fiz “buuu!” . Minha bisa estava com uma frigideira na mão (vazia, graças a Deus), virou-se num susto e deu com a frigideira na minha cabeça. Ao invés de chorar, quase morri de tanto de rir.
Quando ela nos visitava, às vezes dormia no quarto comigo e com minha irmã. À noite, durante o sono, “tomava chá” com amigas de juventude que já eram falecidas. Falava com as “meninas”, perguntava a elas quantas colherinhas de açúcar elas queriam no chá e se o bolo de cenoura estava bom.
Não conheci minha avó paterna e meu avô paterno morreu quando eu tinha nove anos. Dele tenho boas lembranças. Mas conheci meus avós maternos, pérolas do relacionamento familiar e prato cheio para seções e seções de terapia freudiana.
Lembro de uma das poucas visitas que minha avó fez à nossa casa com meu avô quando ele ainda estava vivo. Fui recebê-los na porta e perguntei: “Tudo bem, dinda?” (sim, minha querida mãe fez o favor de nomeá-la minha madrinha, ainda por cima). Ela respondeu: “Estou com dor de garganta.” Perguntei novamente: “Ué... por que será?”, “De carregar esta mala pesada”, ela respondeu.
Quando era adolescente, meus pais viajaram e ela e meu avô passaram uns dias comigo e com minha irmã. Nossa empregada fez uma nega-maluca maravilhosa para lancharmos à tarde. Convidei meu namoradinho na época para passar a tarde conosco e em um dado momento, peguei-a comentando baixinho com meu avô que o fulaninho já tinha comido três pedaços de nega-maluca! Vejam só que crime horrendo.
Meu avô também não era um expert em relacionamento, mas não o culpo considerando a mulher que tinha... Em um dos aniversários da minha bisavó, levamos uma torta e quitutes para passar a tarde com eles. Colocamos a mesa, os quitutes e fomos tomar um gostoso café da tarde. Chamei meu avô para sentar conosco, quando ouço da minha avó: “Não... ele come depois, não precisa sentar agora.” Nossa! Fiquei muito p da vida e fiz um banzé. Lógico que ele sentaria conosco, onde já se viu? Quando ele adoeceu de câncer, negou-se a fazer quimoterapia e morreu um ou dois anos depois.
Quando meu tio era criança, ganhou um chinelo de couro do padrinho. Está certo que um chinelo de couro não é exatamente o presente que uma criança gostaria de ganhar... Mas minha avó mandou meu tio devolver o presente porque “aquilo não era presente que se desse pra um afilhado”. Desnecessário dizer que meu tio e o padrinho ficaram sem se falar por muitos anos.
Recentemente, em um almoço com meus pais, honrados com a presença generosa da minha avó, ela nos revelou que tinha colocado fora todas as fotos do casamento com meu avô juntamente com todas as outras fotos da família, logo depois que ele morreu. Meu pai, enlouqueceu e perguntou qual o motivo da atitude dela, pois afinal de contas ela tinha se desfeito de todo o registro da história da própria família. “Ocupava muito espaço!”, ela respondeu.
Quando minha bisavó adoeceu, perguntei para ela: “Dinda, quando a bisa morrer, tu vais fazer doce para nós, né?” Ela respondeu amorosamente: “Ah, eu não. Peçam pra mãe de vocês fazer ou peçam pra bisa ensinar”.
Dos filhos do meu tio, ela não sabe o nome até hoje. Meu primo tem 25 anos e minha prima 20. Minha sobrinha que nasceu recentemente, ela não tem a menor idéia de como se chama. Meu nome e da minha irmã, ela confunde até hoje.
Ééé... não é mole, gente.
Estes dias, meu tio veio almoçar conosco. Sentou-se na sacada do apartamento dos meus pais para fumar. Minha avó estava na cozinha, fazendo companhia para minha mãe. Em um dado momento, minha mãe sugeriu: “Mamãe, por que tu não vais sentar com teu filho lá na sacada e conversar um pouco com ele ? Faz muito tempo que vocês não se vêem.” Resposta carinhosa de mãe dedicada que não vê o filho há meses: “Conversar o que com ele?”, O que mais ela poderia ter respondido?
Sabe a história da Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau? Pois é. Digamos que se eu fosse a Chapeuzinho, não pediria socorro para o lenhador, deixaria a vovozinha dentro da barriga do Lobo Mau e daria uma boa grana a ele para que a “mantivesse lá dentro” por muito tempo.


Karime Abrão

domingo, 22 de novembro de 2009

Bed Songs



Criança não tem divisões claras sobre o que é infantil e o que é adulto, mesmo porque burocracia é um “privilégio” de gente crescida e ordeira. Sendo assim, de tempos em tempos, alguma canção de marmanjos acaba caindo no hit parade da petizada. E como as canções populares estão cada vez mais infantilóides na musicalidade (para não dizer imbecis) e adultas nas letras (para não dizer infames), tem ocorrido um fenômeno curioso (para não dizer repugnante). Acompanhe esse top hit com os maiores clássicos adultos que fizeram sucesso com crianças em cada década e não será preciso dizer (ou cantar) mais nada.


Anos 50
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem.
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem.


Anos 60
Ana Maria entrou na cabine e foi vestir um biquini legal
Mas era tão pequenino o biquini que Ana Maria sentiu-se mal.
Ai, ai, ai, mas ficou sensacional.
Era um biquini de bolinha amarelinha tão pequeninho
Mal cabia na Ana Maria
Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho
Que na palma da mão se escondia


Anos 70
Que tal nós dois numa banheira de espuma
El cuerpo caliente, num dolce farniente sem culpa nenhuma.
Fazendo massagem, relaxando a tensão
Em plena vagabundagem, com toda disposição
Falando muita bobagem, esfregando com água e sabão...


Anos 80
Aí blábláblábláblábláblábláblá
Tititititititititi
Você diz pra ela:
Tá tudo muito bom, boooom.
Tá tudo muito bem, beeeem.
Mas rrrealmente, mas rrrealmente,
Eu preferia que você estivesse
Nuaaaaaaaaaaaaa...


Anos 90
Fui convidado pr'uma tal suruba,
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.
Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Daí então eu fiquei aliviado
E dei graças a Deus que ela foi no meu lugar.


Anos 00
Crééééééuuuuuuuu!!! Crééééééuuuuuuuu!!! Crééééééuuuuuuuu!!!
Créu! Créu! Créu! Créu! Créu! Créu! Créu! Créu! Créu! Créu!
Crééééééuuuuuuuu!!! Crééééééuuuuuuuu!!! Crééééééuuuuuuuu!!!



Mario Lopes

sábado, 21 de novembro de 2009

Puro Som, Som Puro.



O feto adormece embalado pela suave cantiga de ninar que sua mãe entoa, tão suave quanto carinhosamente. E por onde ela passa, ele ouve sons dos mais diversos. Alguns agradáveis, outros, nem tanto. E assim, desde os primórdios, o ser humano habitua-se a ouvir e a selecionar o que mais lhe agrada (ou não).
Ao jogar-se destemido pelo mundo, ouve uma melodia que fatalmente o acompanhará dias afora: o choro, o som da própria voz. E enquanto cronos impiedosamente passa, a criança cresce e aprende a usar outras manifestações artísticas, amantes e acompanhantes da voz: dança, pula, movimenta-se, interpreta. Aprende a usar a própria voz como instrumento musical.

Na infância, os gostos começam a aprimorar-se. A socialização na escola abre novos horizontes, incrementa a veia musical. Conscientemente então, a música passa a lhes envolver, a lhes pertencer. É a fase em que docemente, inocentemente, cantarolam: “A dona aranha subiu pela parede...”. E a doce inocência nos remete à nossa própria infância e nos lembramos dos sons que nos embalaram. Da cantiga de ninar, inteiramente pessoal, às músicas da cultura de massa, que encantaram gerações. Assim, as felizes crianças da década de 1980 cantavam e se encantavam com a “Turma do Balão Mágico”, “Os Abelhudos”, o “Trem da Alegria”, os “Menudos” (a primeira paixão de muitas adolescentes), ou o Toquinho, cantando: “Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo”... Acompanhada da propaganda da Faber Castel, com os desenhos ganhando vida.
Então, quase sem querer, nos reportamos ao passado, época em que não tínhamos que cumprir horários, que não precisávamos preservar nossa imagem, ou zelar pelas nossas responsabilidades. Época em que ganhávamos o colo dos pais impunemente e que recebíamos beijos maternos em nossas feridas. Época em que as brigas com nossos irmãos eram travadas com a mesma intensidade com que os abraçávamos alguns minutos mais tarde. Época em que as brincadeiras eram embaladas com as músicas que decorávamos, cantando-as até a exaustão. A música nos liga ao mundo onírico da infância. É a ponte que percorremos, corremos, então. Atiramo-nos extasiados e sem fôlego, entregamo-nos às lembranças, com um sorriso bobo, feliz e sincero nos lábios. Lábios com gosto de chocolate, de sorvete e de inúmeras guloseimas. Lábios que cantam, encantados.
E, nesse momento, despertamos de nossos devaneios e nos apiedamos das novas gerações que embalam-se ao som nada sutil dos Calipso's da vida, ou a mais-nova-fankeira-barraqueira-da-hora. Com versos paupérrimos e apelativos seduzem os pequeninos. E muitos pais incentivam – seja por comodismo, falta de cultura ou indiferença – a desmoralização musical a que os filhos estão submetidos.
De que sentirão saudades? Que relíquias tirarão de sua memória musical?
Mas, parafraseando Russo, quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Deixemos nossas expectativas, esperanças e frustrações de lado e ouçamos o que nossas crianças ouvem. Afinal, sempre é bom ouvirmos, sentirmos e olharmos o mundo com os olhos puros de uma criança.



Rubia Carneiro