Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Tema da semana: músicas para transar

Como Seduzir o Cliente


Era o ano de 2001 e eu estava desempregada . Como sempre gostei do setor comercial resolvi procurar um curso na área de vendas . Então vi o seguinte anúncio no jornal : “ Curso : Como Seduzir o Cliente .” Logo anotei o endereço , fui até o local que , estranhamente , era uma academia de ginástica . Mesmo assim paguei minha matrícula e voltei no dia em que o curso se iniciaria . Ao entrar na sala de aula vi que as carteiras estavam arrumadas em círculo e logo sentei – me . Mas estranhei as roupas das minhas colegas que eram decotadas e curtas demais . De repente , a professora chegou e exclamou :
- Boa – tarde !
- Hoje vocês conhecerão as mais diversas formas de sedução !
- A primeira aula será de streap – tease !
Desta forma pensei :
- Streap – tease ?!
- Que tipo de vendedora tiraria a roupa no local de trabalho ?!
Aula vai e aula vem , percebi que aquilo não era um curso para vendedoras e , sim , aulas para garotas de programas , profissão que nunca exerci na vida .
Deste jeito refleti :
- Por que estas coisas acontecem comigo ?! Por que sempre confundo os cursos ?!
Puxa , uma vez me inscrevi num curso de relaxamento , pensando que iria aprender as técnicas de alisamento de cabelo e , no fundo , as aulas eram de meditação ...
- Por que estas confusões ocorrem comigo ?! Agora o negócio é aproveitar as aulas ...
O pior momento que passei , neste curso , foi quando a professora resolveu ensinar as alunas como se coloca uma camisinha no parceiro , de forma correta . Para isto ela levou uma banana e introduziu a borracha dentro desta fruta . Depois pediu que cada estudante fizesse isto uma a uma . Quando chegou a minha vez , não consegui colocar o preservativo na banana , pois a camisinha sempre saltava para fora . Só consegui completar a lição na minha quinta tentativa depois de muita risada das colegas .
Porém a parte mais interessante foi na matéria intitulada : Músicas Para Seduzir . A mestra fez a seguinte pergunta às pupilas :
- Qual é a melhor música para seduzir um cliente ? Qual melodia seria mais sedutora para um streap – tease ?
Realmente não sei o porquê , mas ergui a mão e disse :
- Um show de sedução seria legal se começasse com a música do John Cocker chamada You Can Leave Your Hat On .
- Depois , para relaxar , a música Carelles Whisper do George Michael seria legal .
A professora comentou :
- Suas observações são boas , mas estas canções não seriam as ideais ... Cientistas americanos confirmaram que as músicas que mais seduzem , na hora H , são as canções eruditas . Um streap – tease fica muito mais sedutor ao som da música A Cavalgada das Walquírias do maestro Wagner . Durante a hora H o som mais sedutor é a canção Cavalaria Rusticiana ... Depois para relaxar o ideal seria a música Berceuse de Brahms ...
O engraçado veio depois , quando ela colocou estas músicas no aparelho de som . Afinal nunca dei tantas gargalhadas .
E você , leitor , gostaria de fazer o curso : Como Seduzir o Cliente ?


Luciana do Rocio Mallon

Domingo, 12 de Julho de 2009

O espartilho da discórdia




- Eu não usei aquele espartilho para você.

Não entendia o motivo da frase, já que na noite anterior ela havia dito que ele era a segunda pessoa para a qual usava aquela peça sexy.

- Não usei nem para te conquistar, nem para te seduzir.

Por que então ela havia feito na véspera aquela afirmativa que o colocava em um patamar privilegiado (ou semi)?

- Eu usei para mim.

Aquele foi o primeiro de um desfile de incoerências que o fez tomar uma decisão radical: daquele dia em diante faria o exercício da sublimação absoluta. Tudo que se referisse a sexo e mulheres, ele iria colocar em terceiro ou quarto plano, canalizando toda a sua energia e libido para artes, esportes e outros prazeres nobres. Sim, porque se uma mulher inteligente como aquela havia lhe deixado estupefato com tantas contradições, o que esperar então daquelas que, ao contrário da moça do espartilho, não tinham dois cursos universitários e uma habilidade de raciocínio e retórica invejável.

Começou por se desfazer dos livros de odes românticas, dando suas antologias poéticas de presente para amigos, até mesmo a de Drummond, seu livro de cabeceira. Em seguida, foi a vez dos discos, não poupando nem os vinis do Tim Maia. Despiu sua casa de referências a amores e mulheres, dando para a diarista o pôster-cartaz de “Dr. Jivago” (filme que a mãe dela tanto amava). E, por fim, jogou as fotos analógicas de seus romances passados em duas caixas de charutos que guardara de souvenir, arrastando também as digitais para uma pasta no PC que intitulou de “nunca mais”.

E, para lacrar seu ritual e sua nova fase de forma mais lapidar, resolveu fazer um retiro espiritual em um mosteiro de Ponta Grossa. A ordem aceitou seu apelo por uma inclusão de emergência, mesmo já tendo lista fechada dos visitantes da semana seguinte - alegou que já fora líder de grupo de jovens católicos e que tinha até feito um TCC – Treinamento de Líderes Cristãos. Funcionou.

O primeiro dia até que correu bem. Os monges comiam fartamente e os excessos à mesa de certo modo preencheram seus buracos no coração. No mais, a rotina era oração, confissão e passeios pelos frondosos bosques para meditar sobre a própria vida, ou, como diriam os monges, "na paz e no amor". Talvez tenha sido este o detonador dos problemas que vieram a seguir. A parte da paz, ele até que tirava de letra; já o amor... Sem acesso à web e com contato apenas com seminaristas visitantes de Pernambuco e os próprios monges, sua cabeça começou a dar voltas em cima justamente do assunto que o trouxera até o mosteiro. Sinal de celular não pegava lá também, e assim ele não tinha com quem conversar ou sobre o que conversar (seu interesse não havia mudado tão radicalmente ao ponto de ele preferir encíclicas a sexo ou o placar da final do brasileirão).

A carência de sinal do celular o fez pensar em outra coisa: mas... e se “ela” ligar? Dificilmente isso ocorreria, mas ele começava a ter uma pontinha de entusiasmo com a possibilidade. No segundo dia já não aguentava mais ler versículos e empunhar o terço, rezava era para que alguém o tirasse de lá. Não dormia, fritava na cama se remexendo de um lado para o outro e olhando para o celular, que deixara ligado mesmo sabendo não haver sinal. Os monges com os quais dividia o quarto começavam a pensar que ele estava com síndrome de abstinência de drogas.

No terceiro dia, dormira no joelhoflexório da capela enquanto os monges entoavam cantos gregorianos. Mas despertara com um estranho som. A “Ave Maria” cantada por Agnaldo Raiol. Estranhou e olhou para todos os lados em busca da fonte, afinal não havia aparelho de som ou TV no mosteiro. Foi então que percebeu justamente o monge que trocava flores no altar se coçando todo, apalpando-se por dentro da batina e tirando de dentro dela um aparelho celular que atendeu embaraçado. Resmungou alguma coisa e desligou-o, voltando à sua tarefa.

Num misto de curiosidade e indignação, indagou mais tarde, no refeitório, como era possível aquilo: um celular invadindo o mosteiro, pelas mãos de um monge e tocando no altar (embora a pergunta correta fosse: “como é que eu faço para o meu celular funcionar aqui também?”). A resposta foi simples e coerente: os monges não tinham como ficar absolutamente isolados do mundo, pois alguém poderia passar mal e algum elo de comunicação seria muito bem-vindo, daí o motivo do aparelho. Mas então é que vinha a parte mais curiosa, o aparelho só encontrava sinal da operadora no altar da capela. Não funcionava em nenhum outro lugar do mosteiro. “É o sinal divino”, concluiu um dos monges, seguido de riso de seus pares.

A noite do terceiro para o quarto dia foi de perturbação absoluta. Pensava em como poderia invadir a capela e chegar com seu celular no altar para obter sinal e assim receber uma suposta ligação da moça do espartilho. Saiu de madrugada do quarto, pé-ante-pé para não acordar nenhum dos quatro monges com os quais dividia as acomodações, e seguiu em direção à capela. Caminhou pelo jardim escuro, cuidando para não pisar nas tão delicadas gardênias e petúnias que um dos monges cuidava como se fossem filhas. Mas deu de cara com a porta trancada da capela, dando meia-volta frustrado por sua expedição mal sucedida.

No dia seguinte, tratou de se mostrar um homem de muita fé. Apressou-se no café-da-manhã e pediu para ir orar na capela antes do horário da reza, solicitação prontamente aceita pelos monges, felizes pelo entusiasmado e novo devoto. Rezou na primeira fileira, tirando o celular do bolso com as mãos quase trêmulas. Nada de sinal. Olhando para trás, viu que só havia ele no recinto naquele instante. Atreveu-se a caminhar até o altar. Bingo! Junto à mesa da eucaristia o sinal pegava que era uma beleza. E pasmem: “uma mensagem para você”, sinalizava a tela do aparelho. Neste mesmo instante, um dos monges (justamente o das idolatradas gardênias e petúnias) entrou no ambiente de adoração, fazendo-o prostrar-se de joelhos diante do altar e escondendo o celular com habilidade de trombadinha. O religioso ficou compadecido de ver aquele homem diante do Altíssimo, ajoelhado no mármore duro e frio (e que quase lhe lesionara os meliscos na pressa por se prostrar). Chamou os demais monges que estavam no jardim e todos vieram junto a ele para orar, ficando assim por uma interminável meia hora.

Durante o almoço, com as articulações dos joelhos em frangalhos, ouviu dos monges que ficaram muito tocados por sua demonstração de fé, mas que recomendavam que ficasse sentado no banco das próximas vezes, pois o altar é o espaço mais nobre da capela e só deve ser acessado de forma restrita. Foi então que teve um insight para voltar ao local e ouvir sua mensagem de voz: prontificou-se a trocar as flores, acender as velas e tomar outros cuidados para a boa manutenção do recinto. A solicitação foi aceita de bom grado pelos religiosos, crentes de suas boas e zelosas intenções.

Passou a tarde colhendo flores do campo e encontrou até mesmo uma tulipa que encantou o tal monge que cultivava o jardim. Fez um arranjo magnífico, trocou a água dos vasos e trouxe velas novas para substituir aquelas que já estavam no toquinho. Pronto, missão cumprida, agora sim vinha o verdadeiro dever de casa. Sinal ativo, ligou para sua caixa de mensagens. Suspense duplo: a demora para ouvir o recado somada à possibilidade de um monge chegar no meio da ligação. Era apenas sua mãe fazendo recomendações antes de ele viajar para o mosteiro. Frustrado, desligou o aparelho e ficou ali sentado, na beira do altar, esperando que viesse uma ligação repentina. Nada.

Os monges perceberam sua falta de apetite durante o jantar. Alegou que se sentia ainda um homem de pouca fé, o que compadeceu os religiosos, pois percebiam seus esforços, materializados nos cuidados com o altar e no auto-flagelo de orar por meia hora ajoelhado no mármore frio e duro. Novo insight surgiu: pediu para orar diante do altar durante a noite. Houve certa resistência dos monges, pois só liberavam a capela para orações noturnas em vésperas de dias santos, mas acabaram cedendo.

Passou a noite sentando na beira do altar e olhando para seu aparelho. Quando ouvia passos, escondia-o e se botava de joelhos, com as mãos contritas diante do peito e os olhos fechados. O eventual monge xereta suspirava comovido por tanta obstinação em nome da fé e retornava a seus aposentos. Quando já adentrou a madrugada, desligou o celular e foi para seu quarto aborrecido.

No café-da-manhã do quinto dia, prontificou-se a fazer valer seus supostos dotes de carpinteiro, pois poderia consertar o pé do altar, cuja madeira encontrava-se carcomida pela umidade e estava desestabilizada, com um pé mais encurtado, o que poderia até fazer cair o santo cálice. Novamente foi atendido pelos monges, cada vez mais alegres pelo devoto resoluto e servil que lhes fora enviado. E assim levou sua manhã e sua tarde, improvisando com apetrechos de marcenaria e catando pedaços de madeira de um galpão que ficava afastado do mosteiro, comportando equipamentos de agricultura de pequeno porte. Na verdade, não entendia nada das artes de São José, até pouco tempo achava que carpintaria era sinônimo de carpir. Inventou que a solução para a mesa era complicadíssima, e que por isso iria se demorar na tarefa. Ficou enrolando no altar tempo suficiente para receber algumas ligações de trabalho, que tratou de despachar de forma grosseira. Ligava a serra tico-tico para abafar sua voz e assim não ser flagrado pelos monges. Ao final do dia, voilà, a mesa estava finalmente estabilizada devido a um encalço de madeira que pregara grosseiramente ao pé mais curto. Os monges observaram o fruto daquela trabalheira toda com indisfarçável decepção, mas, tudo bem, o importante é que a intenção do fiel era muito mais bela do que suas habilidades com as ferramentas mundanas.

No sexto dia, mal terminara o café-da-manhã e já avisara que precisaria costurar o sudário da mesa do altar (o qual rasgara na noite anterior), e que ainda tinha de pintar as paredes daquela parte nobre da capela, pois havia manchas (que também rabiscara na véspera). Claro, os monges mais uma vez aceitaram de coração aberto aquela oferta generosa de serviços gerais.
Teve de ser auto-didata para remendar o rasgo que fizera no manto que cobria a mesa, chegando a furar o dedo ao tentar penetrar a agulha com a linha. Também precisou ler na lata de tinta a quantidade de mistura certa para besuntar a parede com aquele verde água que fazia o fundo do altar. Enquanto "se esmerava" em seus serviços, era vez ou outra interrompido por novas ligações de trabalho e recomendações de sua mãe. Já estava cada vez mais grosseiro e impaciente nas ligações. O toque do aparelho (no vibracall, para não chamar a atenção de algum monge que passasse por perto da capela) era seguido por grande empolgação e, um segundo depois, por imensa decepção, já que nunca era a moça do espartilho. Ao final do dia, a capela estava presenteada com um sudário cortado por uma cicatriz na altura da ilustração do Espírito Santo; e o fundo do altar havia ganho um tom “avant-garde”, com um verde irregular que mudava de nuance por toda a superfície. Desta vez, os monges ficaram decepcionados e preocupados com o que a devoção daquele homem poderia ainda trazer de depredação naquele sagrado recinto.

No sexto dia mal esbarrou no café-da-manhã. Apenas queria ir para a capela, pois percebera que havia infiltrações no teto e que o gotejamento certamente poderia danificar a mesa do altar e até causar um desmoronamento sobre os monges e os fiéis, “imaginem o caos, senhores!”, argumentou com os olhos avermelhados de quem passara a noite sem fechá-los. Assustados e desconfiados, aceitaram a oferta com relutância. Enquanto observavam aquele estranho fiel indo e vindo com escadas e ferramentas do galpão para a capela e da capela para o galpão, os religiosos se reuniram e entraram em consenso de que aquela situação estava um tanto suspeita. Decidiram que iriam espionar aquele bom homem atrapalhado.

Já quase adormecendo no alto da escada, sentiu o celular tremer no bolso da calça. “Será minha mãe ou meus clientes?”, pensou. Não, desta vez era sim a moça do espartilho. Como já estava insano pelas noites sem dormir e pelas confusões aprontadas no mosteiro, nem deu tempo para uma conversa amigável ou de reconciliação, foi logo reclamando da demora da ligação, o que de pronto gerou uma discussão via Embratel. Ela ainda alegou que, como tentativa de reatar o romance, havia lhe enviado o espartilho pelo correio, mas “já estou pensando em tirar o espartilho de lá”, alertou. “Tira, então tira o espartilho, tira!”, foram as últimas palavras ditas por ele, ouvidas simultaneamente pelos monges que espionavam à porta da capela.

Foi mandado embora por fazer ligações para tele-sexo. Teve ainda de arcar com uma pintura profissional do fundo da capela e com a compra de um novo sudário para o altar (enviou uma bandeira do São Paulo de sacanagem, “manto sagrado” de seu time do coração). Dois dias depois, o espartilho chegou pelo correio. Dorme abraçado com a peça todas as noites. Ainda não conseguiu reaver o livro do Drummond, nem os discos do Tim Maia.

Mario Lopes

Sábado, 11 de Julho de 2009

Até quando...


Até quando vamos viver nesse mundo de faz de conta? Um mundo onde a realidade não ultrapassa um shopping. Onde o amor maior do mundo é por um par de calçados que talvez custe mais do que uma família carente consiga ganhar em uma vida inteira.
Até quando vamos ser pequenos a tal ponto de pensar que uma espinha no rosto é o fim do mundo, e q não poderemos sair de casa até ela sumir dali ou for possível disfarça-la. Enquanto ao mesmo tempo o motivo para alguém não poder sair de casa é estar no meio de fogo cruzado, sem ter o que comer, somente com a companhia do medo e da incerteza de quanto tempo ainda irá sobreviver.

Hoje em dia só se fala em caridade, em bondade, em ajudar ao próximo. Que ótimo! Mas seria ótimo também se as pessoas tivessem esse sentimento dentro de si. A caridade não está somente no dia de natal comprar um brinquedo e entregar para uma criança carente, ela tem que estar presente no nosso dia a dia. É preciso SABER fazer a diferença. É uma pena que na maioria das vezes só conseguimos enxergar o mundo real depois de passar por um sofrimento muito grande. Mas se for isso for necessário para tornar pessoas melhores então que o sofrimento venha, derrube, machuque, crie lágrimas, traga a solidão, tristeza e o que mais for necessário. Mas que ao final de tudo isso, possamos perceber que vivíamos dentro de uma bolha. Que a vida é muito mais complexa do que imaginamos. Que nem só de gloria vive o homem. Que é preciso perder para dar valor a vitória. Que é preciso sofrer para perceber a verdadeira felicidade. Que o dinheiro é importante, mas que não é preciso ser milionário. Que nem sempre o valor que damos a alguma coisa era o que devíamos dar.
Quem sabe um dia a gente perceba que não é preciso dizer eu te amo para demonstrar o amor. Que não é necessário seguir o padrão de beleza imposto pela sociedade para ser belo. Que nem sempre as pessoas são aquilo que aparentam ser. Que é melhor ter dificuldades e conseguir superá-las do que não ter nenhuma. E que o maior presente do mundo não é ser amado por todos. Mas sim ser admirados por aqueles que realmente o amam independente de qualquer defeito.



Daniele Maistrovicz

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Recado


Foi um processo longo, mas nada dramático como costumam romantizar os escritores. Deitada em sua cama, em plena paz, livre de qualquer turbilhão mental, ela decidiu que já estava na hora de ir.
Um pensamento tomou-lhe a mente, e paraseando alguma música que nem ao menos lembrava se a acompanhou durante a infância, ou se apenas a tinha ouvido da boca de alguém, começou a cantar:
- Lá rá lá rá rá, o passarinho criou asas e quer voar!
Riu baixinho. Pela primeira vez, sentiu a liberdade de poder lidar com sua vida. Sentiu a liberdade de uma decisão tomada, cujo caminho era só o de ida.
E assim levantou-se da cama, e resolveu iniciar seu dia, como se tudo fosse permanecer igual. Adorava surpresas.
Colocou suas pantufas, e saiu em direção a cozinha arrastando-as pelo chão de carpê. Serviu-se de uma xícara de café com leite, e sentou no banquinho de madeira. Passou a olhar o patinho do copo em sua mão, e tentou fazer as contas de quantas vezes já havia passado horas a tomar café e pensar em sua vida.
Lembrou também que esses seus devaneios eram vazios, como se ficasse hipnotizada por um tempo; chamava aquilo de ”pensar”, mas sabia que nada mais fazia do que dormir acordada.
Vai ver era esse o motivo de ela passar a maior parte do seu tempo livre deitada em sua cama. Tinha plena consciência de que se ficasse acordada, apenas gastaria mais energia.
Porém, hoje, ela não só acordou mais cedo, como resolveu não ir pra aula.
Lembrou-se da sua segunda promessa do dia, de que não ia fazer nada fora da sua rotina, mas mudou de idéia. Ia se aprontar e seguir seu rumo.
Gostava tanto de surpresas, que surpreender apenas aos outros já não lhe bastava. Passou também a surpreender a si mesma, e ter repentinas mudanças de idéias.
Agora sim, tinha certeza de que já estava decidida.

Ela não teve cuidado ao escolher a sua roupa, nem em arrumar os cabelos ou pintar seus olhos. Queria ser ela mesma pelo menos nesse dia.
Apenas escolheu o sapato. Era sem dúvida, seu sapato mais bonito, todo delicadinho, parecia de boneca!
È claro que ele tinha seu defeito: por ser de plástico, o cheiro que ficava impregnado na sola era...terrível.
Assim como tudo na vida, ela aprendeu a gostar daquela Melissinha mesmo com esse seu defeito. E foi por isso mesmo que escolheu-a para a acompanhar durante sua grande decisão.
Olhou-se no espelho, mais por obrigação do que por interesse. Queria chegar logo a seu destino, e não encontrar ninguém no caminho.
Pegou as chaves de casa, um bloquinho de papel e uma caneta, e lá se foi... feliz da vida.

Pegou o elevador, apertou o botão que as crianças geralmente nunca alcançam... e começou a sentir seu coração acelerar.
O tempo já não passava, a porta não abria.
Os seus pensamentos, antes vazios, agora simplesmente deixaram de existir.
Olhava aquele cubículo cercado de 3 espelhos, -mais a porta que nunca abre -, e queria incorporar-se a aquilo tudo. Via com olhos de cegos.
Com um instalo, saiu de sua auto-hipnose, e sem delongas, foi logo a sacada.
Dessa vez, olhava com olhos de artista. A visão do 15 andar é sempre linda, ainda mais para um espírito preenchido pelo nada.
Ficou pouco tempo a olhar a paisagem, pois por mais bonita que fosse, não a faria mudar de idéia.
Então, resolveu olhar para o chão.
Sentiu aquele frio na barriga, ficou zonza e passou a imaginar como seria voar até a superfície. Voar até o solo, para depois voar para o céu.
Sentiu-se livre, solta... até que veio o medo e o arrependimento. O chão estava ali, a um metro de seus olhos, e ela nem teve tempo de gritar. Não teve tempo nem ao menos de se arrepender.
Mas isso era o que ela imaginava.

Tirou os sapatos, apoiando-se na grade com medo de cair. Mal ela sabia.
Escreveu algumas palavras no bloquinho, e deixou-o junto aos seus calçados.
Com um impulso, subiu no seu pódio, e de lá, jogou-se ao ar, para aprender a voar. E voou.
Horas depois, uma mulher passa no último andar do prédio para fazer a limpeza, e vê um par de sapatos alinhados em frente ao precipício. Junto com eles, a faxineira vê um papelzinho e se aproxima para ler o que está escrito. Lê:

- Desculpe o mau cheiro.

No bairro, ouve-se um grito.


Letícia Mueller

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Amigos são para sempre



Como o dia do Amigo está chegando, nada mais justo do que homenagear essas pessoas que tanto contribuem para nossa formação.

Desde criança aprendemos o valor dos amigos, porque nos ensinam a buscar a Deus como nosso amigo nos fazendo aproximar e nos dedicar a isso, que independe de religião, depende do coração.

Há quem diga que existem amizades por interesse, eu sei que existem, mas prefiro acreditar nas amizades puras, por isso afirmo que amizade é 100% emoção, não tem como acreditar no contrário.

E essa amizade pura e verdadeira dedicada a Deus nos fez desenvolver as demais amizades, as do laço familiar: mãe, pai, irmãos, primos, etc. Por mais que tenhamos um relacionamento familiar, esse também é conquistado na base da amizade, que tem como característica forte a confiança. Depois da família vem os novos ares, a primeira escolinha, os vizinhos, fontes ricas para fazer amigos, e é desta forma que montamos nosso grupo de convivência. Não porque queremos separar as pessoas, mas para não ficarmos de fora. Também buscamos fazer parte desse grupo, o que acontece naturalmente. Aos poucos vamos nos formando, amadurecendo. À medida que vamos crescendo, as pessoas se aproximam, é comum também que algumas se afastem, esse é o caminho natural das coisas, mas amizades de verdade nunca passam despercebidas, sempre nos marcam de alguma forma, por isso é fácil acreditar que amizade verdadeira é difícil de apagar ou de ser esquecida.

Meus amigos me ajudaram a formar quem sou.

Deus me formou com os traços, o lado espiritual; meus familiares me iniciaram nos primeiros passos, nas primeiras palavras, nos gestos, e me mostraram o caminho a seguir. Que maravilha de caminho, porque foi nele que eu pude encontrar os demais amigos, esses que ainda hoje continuam me formando, me dando motivos para rir, chorar, viver. Tem coisas que só um bom amigo consegue entender, choram conosco na mesma medida que os risos fluem, e assim vamos vivendo. Cada novo amigo conquistado nos revigora, o que nos faz mostrar nossas qualidades. Os defeitos não são escondidos, buscamos demonstrar aos poucos como a ordem natural das coisas.

Muitos dizem que amizade não agradece, acredito nisso também, mas podemos retribuir, mesmo na distância. Com os rumos diversos da vida de cada um, é possível ser presente, ficando feliz a cada nova etapa, novos desafios e, claro, nas mais belas conquistas. Seja por telefone, por mensagem, enfim, a minha forma de agradecer todas essas pessoas amigas, que são responsáveis pelo que sou, faço uso das minhas palavras que serão eternizadas, tiradas do mais puro sentimento a AMIZADE, do coração muitas vezes ferido, e outras tantas vezes revigorado por vocês, amigos verdadeiros e companheiros. É ao meu amigo maior, Deus, que agradeço a cada passo aprendido, a cada palavra dita e a cada amigo conquistado. É para vocês que hoje dedico minhas palavras, meu sorriso, minhas lágrimas, é a maneira mais objetiva de retribuir e dizer o quanto amo cada um de vocês.


Mary Palaveri

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Nostalgia


O tempo passa num misto intenso de lentidão e rapidez, e deixa e leva tantas coisas, sem nem sequer pedir permissão.
Naquele instante, tudo paralisou, milhões de fatos se materializaram à sua frente, era como se estivesse acontecendo tudo novamente. O cheiro forte de chocolate quente invadia toda a sala, mas não era o cheiro de uma bebida qualquer, era aquela, exatamente aquela, que tomava enquanto assistia a qualquer desenho na televisão, distração.
O cheiro mudara completamente, se transformando na essência do perfume que estava no ar, junto com os diálogos interrompidos, não dava mesmo para confundir, intuição.
O cenário muda, os cutucões no ombro aumentam, um de seus amigos dispara perguntas inapropriadas, bem na hora crucial da aula de matemática do colegial, (in)satisfação.
É a sua melhor tentativa de virar para trás e... um vago de imagens, e logo uma estrada, uma bolsa de mão, a melhor viagem, a música preferida toca, e a sensação de estar dançando em algum lugar desconhecido, ou talvez em cima da própria cama, diversão.
Dá pra ver de longe suas bochechas rosadas, e seu suspiro, do que restara do melhor beijo que podia ter dado, paixão.
Algumas pessoas ansiosas, balões pendurados por toda a casa, palavras sinceras, nada importava, recepção.
Sua voz de confiança atinge todos os níveis, todos os móveis daquela casa, e mata todos os seus medos, deixando consistente um sorriso, do qual ninguém jamais mudaria,
familiarização.
O relógio marca 06h, sua melhor amiga grita, avisando para não dormir na melhor parte do filme, não agora que aguentara a madrugada inteira conversando sobre tudo, compreensão.
O gosto amargo da bebida ingerida rapidamente invade toda a boca, a percepção começa a falhar e todos olham, e ninguém realmente vê, ilusão.
As imagens começavam a ficar transparentes cada vez mais rápido e, por fim, sumiam. Os olhos abriam-se com calma e percebiam que a nostalgia havia tomado conta de tudo novamente. Dois minutos e lá estava, sentindo absurda falta das coisas que ainda não viveu, das coisas que ainda
não fez, das pessoas que nem sequer conhece, e de tudo que ainda nem podia imaginar sentir.

Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal.
Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida.
O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade.

Quantas vezes a gente se pega pensando naquela situação, ou na pessoa que realmente nos marcou, desejando revive-la intensamente, e se frustra todas as vezes, quando lembra que isso é impossível.
Às vezes eu acho que são nossas lembranças que nos fazem ver adiante, no fundo, a vontade que se tem de aproveitar cada minuto que vem pela frente, é porque sabe que vai poder lembrar-se disso quantas vezes quiser. O momento de estar vivendo te faz feliz, mas apenas lembrando-se disso é que você pode colocar a cabeça no travesseiro e dizer que valeu a pena.

Não se deve reprimir a saudade, a lembrança e nem a nostalgia. Afinal, como dizem por aí, 'recordar é viver'.

Aquilo que chamamos de recordações são os nossos pensamentos de agora, as nossas exprobrações de agora, a nossa defesa de agora. Por mais longa que seja nossa existência, temos nossas lembranças - pontos no tempo que o próprio tempo não consegue apagar. O sofrimento pode deturpar meus vislumbres do passado, mas mesmo diante do sofrimento algumas lembranças se recusam a perder seja o que for de sua beleza ou de seu esplendor. Pelo contrário, elas permanecem sólidas como pedras preciosas.


Ana Paula Campos

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Ordem Rosacruz: uma filosofia que sobrevive há séculos



Das diversas culturas que, por vários séculos, foram enterradas pelo passado, algumas deixaram suas marcas presentes até hoje. Porém, mais do que isto, foi lá no Egito Antigo que a Ordem Rosacruz (AMORC), esta organização de caráter místico-filosófico, teve seus primeiros fundamentos. No período da XVIII dinastia, os mistérios acerca da vida, do homem e do universo fizeram que grupos de pessoas interessadas na ciência, nas filosofias e nas artes se unissem para investigar as respostas daquilo tudo que desconheciam e que a religião não explicava, apenas impunha. A partir deste momento, surgiram as Escolas de Mistérios, pois estes grupos tinham que se organizar secretamente, caso contrário sofreriam as conseqüências por ir contra os dogmas estabelecidos pela religião. Foi na época do Faraó Tutmés III, que se começou a organizar a primeira fraternidade baseada em princípios perpetuados hoje pela AMORC, como conta o mestre em filosofia e membro Rosacruz, Jamil Salloum Jr: “Tudo que se tem hoje na Ordem começou lá atrás, com a sabedoria daquele povo e que hoje utilizamos em nós”, conta. Mais tarde, no reinado do Faraó Amenthotep IV, foi fundada esta Fraternidade que, por ser tão inspirada nos ensinamentos esotéricos, dê um sentido novo à religião, arte e filosofia do Egito. Mais tarde, nos séculos seguintes, todos estes princípios foram perdurados pelos povos. Tales, Pitágoras, Sólon, Platão entre outros viajaram até o Egito Antigo e foram iniciados nestas escolas. Suas experiências são os primeiros registros daquilo que acabou florescendo na Ordem Rosacruz. Hoje, esta organização está presente em todo o mundo e ganha muitos adeptos dispostos a buscar as respostas da vida. A ordem não é uma religião, pois não tem dogmas ou doutrina; mas tem princípios filosóficos que servem para que as pessoas reflitam sobre si mesmas, a vida e o mundo que as cercam. “Aqui é uma filosofia de auto-conhecimento, reflexiva, que ajuda o ser humano a despertar suas potencialidades adormecidas”, conta Jamil. A ordem é considerada mística filosófica. Mística porque mostra um caminho para a pessoa entrar em contato com sua alma através dos ensinamentos e exercícios. Filosófica porque mostra uma outra maneira de pensar sobre a vida”, acrescenta. Os exercícios praticados e ensinados aos membros filiados na AMORC são baseados na meditação coletiva, interpretação dos sonhos, projeção astral, entre outros, e que são considerados instrumentos que as pessoas podem utilizar para suas compreensões e experimentações. Quem se torna membro, passar por uma série de estudos e aprofundamentos, como também experimentos dos exercícios que lhes são propostos. E há quem busque tudo isto, independente de religião ou profissão, como conta o escrivão de polícia e membro Rosacruz, Marco Antônio. “Afiliei-me e, para a minha felicidade, os conhecimentos que eu buscava, assim como a experimentação da verdadeira consciência de mim e do mundo, estavam lá”, diz Marco. ”A nata do conhecimento místico da humanidade, desde os tempos mais remotos, reunidos em um lugar, e acessível àqueles com coração nobre”. Toda Ordem Rosacruz, indepentende da cidade em que esteja, oferece um espaço similar. Em Curitiba, o lugar possui um auditório específico para estudos e palestras; também, um centro cultural AMORC, com o Museu Egípcio com exposições da cultura egípcia e de outras culturas, aberto a toda a população e Espaço de arte Francis Bacon. Também há a Morada do Silêncio para realizar meditações e loja Rosacruz, que tem objetos e livros que ajudam a aflorar a filosofia implantada na Ordem. E há pessoas que, mesmo sem ser membros, buscam a ordem para meditar, ler e aprofundar conhecimentos. É assim que os princípios da AMORC se perpertuaram durantes vários séculos, passando de povos para povos, para ajudar a responder perguntas que alguns de nós fazemos como “quem sou eu?”, “de onde vim?”, “Deus existe?” e outras que nos assolam como seres humanos. Uma filosofia não desenterrada de vales nem descoberta em tumbas, apenas nunca adormecida e repassada de geração em geração até os tempos atuais.




Bianca SIlva

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Semana de tema livre

Quem Reclama o Rabo Inflama



O dicionário define hemorróidas como varizes nas veias dos ânus. Mas sabemos que esta doença vai além desta mera definição.
Quando eu era criança, toda vez que reclama de alguma coisa sem razão, os mais velhos diziam:
- Quem reclama o rabo inflama!
- Quem se importa o rabo entorta!
Naquela época, eu tentava desvendar os segredos destes ditados até que o tempo passou e a minha puberdade chegou. Na minha juventude, fui trabalhar num local onde havia uma funcionária muito ranzinza, que sempre reclamava do serviço das outras empregadas e se metia na vida particular das outras colegas. Exemplos: se alguma serviçal limpasse o chão e deixasse um cisco, esta funcionária mau-humorada logo xingava a moça. Se alguma colega viesse sempre com a mesma roupa, esta mulher antipática tratava de criticar e assim por diante...
Porém, comecei a notar que esta chata sempre tirava da bolsa uma pomada para ir ao banheiro chamada Hemovirtus.
Um certo dia, morrendo de curiosidade, fui a uma farmácia e perguntei qual era a função daquele remédio. Fiquei assustada quando a farmacêutica falou que aquele produto era para tratar hemorróidas. No mesmo instante , refleti:
- Agora entendo os significados dos ditados "Quem reclama o rabo inflama" e "quem se importa o rabo entorta"!
Alguns anos depois, saí daquele emprego e fui convidada a assistir uma palestra de um psiquiatra, denominada "Doenças Psicossomáticas". Tudo estava indo bem durante o evento, até que, num certo momento, o doutor falou :
- Vocês sabiam que hemorróidas também é uma doença psicossomática? Sim... Afinal uma pessoa que vive reclamando tem tanta pressa de colocar os seus sentimentos para fora que acaba passando esta angústia ao seu corpo inteiro, tornando a região do ânus muito vulnerável. Por isto é que as vovós tinham razão quando falavam os seguintes ditos populares: "Quem reclama o rabo inflama" e "Quem se importa o rabo entorta".
Naquela hora não agüentei e soltei uma gargalhada sem querer. Afinal isto que o psiquiatra comentou foi o clímax da palestra.
Portanto, reflita sempre se tem razão antes de reclamar de algo.


Luciana do Rocio Mallon

Domingo, 5 de Julho de 2009

Íntimos e famosos



Absorventes internos são os itens de toalete mais melindrosos de uma necèssaire feminina. Nada mais íntimo e pessoal, nenhum objeto é tão particular, tão visceral, tão natural e tão “cirúrgico”. Provavelmente é este o motivo que os tornam sensação quando conseguem ser flagrados pelo único elemento que denuncia sua presença durante o uso: o fio. Há alguns anos, o cineasta catarinense radicado em Curitiba Fernando Severo dirigiu um filme intitulado “Corpografia”, no qual duas atrizes nadavam nuas em uma piscina, sendo que a cena lhe rendeu, ao mesmo tempo, dificuldades na edição e boas risadas da curiosa equipe técnica: uma das garotas estava usando um O. B. cujo fio branquinho aparecia flutuando no azul do ambiente em algumas das tomadas feitas debaixo d’água. A cena precisava ter um tom pueril e artístico, o que tornava aquele incômodo detalhe algo absolutamente inapropriado. Como foram feitas diversas tomadas debaixo d’água, havia algumas em que o inconveniente fiozinho não aparecia, e tudo acabou sendo resolvido a contento, com o filme devidamente finalizado e premiado logo em seguida por sua indiscutível qualidade. Mas o burlesco da situação aponta o quanto este recôndito objeto da intimidade feminina chama a atenção e a curiosidade. Aqui vão algumas situações e imagens hilárias e instigantes envolvendo O. B. e seu primo-irmão-rival, o Tampax. Siga o fio condutor.

Oops! O fio de O. B. mais famoso do mundo provavelmente é este: o de Britney Spears. Talvez seja um aviso para a plateia, afinal seria bem recondável usar o produto nos ouvidos.



Britney fez história e seguidoras, como a moça descuidada da foto acima. O detalhe é que muito provavelmente ela se envergonhou mais pelos indícios de celulite.



Os flagrantes se tornaram alvo de brincadeiras, como neste caso de paródia com a campanha no Master Card. Tsc, tsc, e ela que queria chamar a atenção com a tatuagem nova...



Dizem que em boca fechada não entra mosca e que "boca" de bêbado não tem dono. Eis uma versão Tampax feita por amigos (da onça) muito bem humorados.



O caso mais famoso de merchandising gratuito de um absorvente íntimo foi o do Príncipe Charles, que, sem saber que seu telefone estava grampeado, confessou à sua amante que queria ser seu Tampax.



Eis a amante, Camila Parker-Bowles. O episódio rendeu celeuma no trono britânico, festa nos tablóides sensacionalistas e boas risadas no mundo todo.



O que a Princesa Diana achou do caso? Bem...



Há muitas imagens e anúncios falsos brincando de um jeito nonsense com o produto. Acima, uma companhia aérea exclusiva para quem está "naqueles dias".



Muito humor negro neste pseudo-anúncio de Tampax, ostentando a marca como patrocinadora das corridas de touros de São Firmino. A brincadeira certamente não é de mais mau gosto do que este evento "cultural" dos espanhóis.



Liberdade de movimentos para quem usa um Tampax. Mas esta imagem pode gerar controvérsias: há pouco foi criado um i-pod vibrador cuja pulsação segue o ritmo das músicas e pode levar uma mulher ao orgasmo ouvindo seu astro favorito.



Represando o fluxo. Uma ideia bem sacada para representar o que o Tampax significa na geografia feminina.



No more blood. Outra ideia bem interessante, que diz tudo sem precisar verbalizar nada (ou quase nada).



Essa sim, tão genial que nem necessita de texto algum. Apenas a caixinha do protudo e basta.



Soberbo. Eis um anúncio mostrando a tonalidade de um legítimo vermelho Tampax: branquinho, branquinho, tal qual o produto promete em suas funções íntimas.



Radical. Um tubarão branco pode sentir o aroma de uma gota de sangue a mais de um quilômetro de distância, ou seja, a moça do filme do Spielberg não usava Tampax.



Mas na prática... animais de olfato sensível costumam incomodar a mulherada "naqueles dias", principalmente os cães. Na foto acima, a prova de que não tem O. B. que dê jeito.



Convergência perfeita entre o meio e a mensagem. "Basta puxar a cordinha para descer", diz o texto impresso na barra do ônibus, fazendo referência tanto ao produto quanto à forma de sair do veículo.



Paródia com a Intel. Só faltou tocar aquela vinhetinha sonora.



A moça é a mídia. Isso sim é coerência ao extremo entre o produto e o meio de divulgá-lo.



Provavelmente um dos anúncios de oportunidade mais geniais de todos os tempos. "A grande vedete das últimas Olimpíadas" - e olha que ela nem sequer aparecia, hein.



Assim como tem anúncio de oportunidade também tem piada de oportunidade. Aqui uma tirinha brincando com absorventes e Renan Calheiros, o cara mais aderente à calcinha que o plenário já viu (e mais absorvente também).



Os intrometidos. Na linha de melhor fantasia de aborvente interno, essa turma exagerou: já foram "usados" para a festa.



Tão certinha que até parece fantasia de demonstradora. Talvez ao invés de cair numa festa à fantasia, ela foi no supermercado fazer apresentação do produto (ou demonstração?).



Modess ninja. E usando dois O. B. como tiaco, isso sim é um personagem sangrento.



OK, não dá pra saber se o cara do meio está fantasiado de O. B., de cotonete ou de Smurff. Mas tudo bem, a moça da esquerda nem parece a Gina mesmo.




Esse vídeo didático ensina como introduzir um absorvente interno. Especialmente útil para moças que nunca fizeram uso do produto.




Lançamento de um novo absorvente interno. Aplausos para ele.




Neste vídeo pedagógico, uma demonstração de que o fio do absorvente interno não sai de jeito nenhum. Faça o teste em casa.



Mas, se o fio sair...



Mario Lopes

Sábado, 4 de Julho de 2009

Absorventes Internos: Mitos X Verdades



OB, Intimus, Tampax. As marcas são diversas, mas apesar do montante de informação disponível na Web, muitas mulheres têm dúvidas com relação aos absorventes internos. O assunto ainda é considerado tabu, principalmente entre as adolescentes. De qualquer forma, usar um absorvente interno é mais simples do que se imagina.

Convenhamos, nós mulheres já sofremos muito com a TPM antes de entrarmos “no vermelho” e as malditas cólicas durante o período menstrual. E a nossa vida não pode parar quando estamos “naqueles dias”, não é mesmo?

Por experiência própria, posso garantir que o absorvente interno é, sem sombra de dúvidas, muito mais prático e proporciona bastante segurança, bem estar e conforto; além de ser ultra discreto. Fala sério, é horrível sentir um “bisorvente” marcando e fazendo volume na roupa, não é verdade? Neste aspecto, o OB ou seja-lá-qual-marca-for dá uma sensação indescritível de liberdade, principalmente quando se quer usar uma calça mais justa, uma mini saia, ou até mesmo um biquíni.

Os mitos em torno do absorvente interno são muitos, mas acredito que o maior deles está relacionado à virgindade. Grande parte das garotas (repito mais uma vez, a maioria adolescentes) temem usá-lo por medo de perder a virgindade. Os médicos são categóricos: essa história de que absorvente interno tira a virgindade é balela. O que faz com que a mulher deixe de ser virgem é a relação sexual. As possibilidades do hímen se romper por causa dele são remotas, já que o hímen possui perfurações que permitem a passagem do absorvente sem causar danos à membrana. Até porque a virgindade não está somente no hímen, mas daí é um assunto para outro post.

Quando colocado corretamente, não se sente nada. Incômodo, dor, absolutamente nada. Aliás, você até esquece que tem alguma coisa dentro de você.
Vazamentos só ocorrem se o absorvente for mal colocado ou ao usar um tamanho que não corresponde ao adequado para a intensidade do fluxo menstrual.

Também não dói para tirar. A “cordinha” é hiper resistente, de forma que as possibilidades de arrebentar são praticamente nulas. Pelo menos eu não nunca ouvi falar sobre algum caso em que ela tenha arrebentado (se alguém conhece, por favor me notifique, rs). Portanto, fiquem tranqüilas.

Também não há como ele se perder no corpo. A abertura entre o fim do canal da vagina e o inicio do colo do útero tem o tamanho de uma cabeça de alfinete. Ou seja, impossível passar.
O segredo é colocar e tirar “com jeitinho” (sem duplas interpretações, por favor, rs) para não causar nenhuma lesão.

Em resumo, os absorventes internos não oferecem risco à saúde da mulher, desde que sejam tomados alguns cuidados, como lavar as mãos antes de colocar ou retirar o absorvente e trocá-los com freqüência; no máximo a cada 4 horas no dias de maior fluxo, ou 6 horas nos dias de menor fluxo. Isso porque qualquer vacilo favorece a reprodução de bactérias e aumenta o risco de infecções.
Em caso de dúvidas, procure sempre um ginecologista.




Camila Souza

Sonho lúcido?


Camila, assim que passou na faculdade de medicina em outra cidade, deixou sua casa e sua família para trás. Passou a morar em um pensionato feminino onde as regras eram rígidas e qualquer infração era punida com a expulsão. Todas as outras meninas, todas estudantes, eram fiéis às determinações impostas. Homens? De jeito nenhum. Nem pais, irmãos, namorados, etc... Assim que chegou lá, foi recebida pela governanta que a pôs a par de todos os regulamentos e logo em seguida, a encaminhou para o quarto. Mal chegara lá, ouviu batidas na porta. Eram as veteranas visitando a novata.
Após meia hora de falatório, Camila ficou novamente sozinha a refletir sobre tudo que viu e ouviu desde que chegara aquela estranha cidade. Nada lhe era familiar. As ruas pareciam erradas, como se nelas faltasse algo vital, cuja ausência resultava em uma ilusão. As pessoas tinham feições estranhas, não como a de um mero desconhecido, mas como a de seres irreais. O chão em que pisava, o céu que a cobria e até mesmo a coca-cola que havia tomado eram completamente diferentes das de sua cidade.
No meio desse caos desconhecido, Camila tentava lembrar dos pais para se acalmar e assim, acabou entendendo o motivo pelo qual, há 5 anos atrás, sua mãe não a deixara passar o feriado na praia com sua amiga, argumentando que a distância e a saudade mexeriam com seu psicológico. Lembrando disso, ela logo compreendeu o motivo da represália, afinal, se mesmo mais velha, ela passava por uma situação de solidão e havia apenas 3 horas que chegara, imagina o que não sentiria a alguns anos atrás.
Concentrou-se novamente e seus olhos se encheram de lágrimas, mas antes mesmo que uma escorresse sua mente já efervescia com soluções:
-Saudade passa, ligarei para casa todos os dias de manhã e de noite.
-Não, só de manhã. Aí eu me desligo deles e mando notícias uma vez por mês, ou por semana. Duas vezes por semana. Isso.
Camila sabia que faria amigas, quem sabe ali mesmo no pensionato, afinal lá deveriam existir no mínimo uns 20 quartos. Alguma de suas vizinhas haveria de gostar dela, ou pelo menos na faculdade acharia alguém, uma amiga, um amigo, ou até algo mais. Acharia alguém, tinha que conseguir.
Aguentar aquela estranha cidade, vivendo em um lugar repleto de regras onde sentia que estava sendo julgada a cada segundo e que, no menor passo em falso, estaria na rua e consequentemente, fora da faculdade, não era uma tarefa pra ser cumprida em completa solidão. Precisava de um alicerce, alguém que a ajudasse a superar aquele fardo.
Assim, no seu primeiro dia de aula, Camila foi para aula sorrindo, esperançosa em encontrar alguém que simpatizasse e entendesse seus receios, cobrindo a lacuna deixada pela ausência de sua família e amigos. Porém, durante todo o período, só lhe dirigiram a palavra os professores, perguntando-lhe o nome, e um rapaz que esbarrara com ela sem querer. Ela voltou para casa correndo, bateu a porta com raiva, e foi reprimida pela governanta que também acabara de chegar:
-Você não está em casa e aqui exigimos respeito.
Camila chorou. Que falassem em respeito, regras, e qualquer outra coisa, mas que não pronunciassem a palavra casa. Trancou-se em seu quarto e ligou para seus pais, já aos prantos, e, ao contrário do que imaginava, também foi reprimida por eles, que a queriam estável e exigiam que ela fosse forte, não se deixando abater por essas pequenas bobeiras.
Já não sabia o que pensar. Não tinha amigos, família e nem mesmo a sua cama que tanto a confortara durante os dias tristes. Agora estava sozinha, numa cidade desconhecida, rodeada de pessoas estranhas e com regras assustadoras.
Surto de lucidez. Sua família não queria seu mal, apenas a alertava sobre a importância de manter-se forte para alcançar a máxima concentração nos estudos. Podia voltar para casa em alguns fins de semana, e assim, rever o pessoal da sua cidade. Não estava realmente sozinha. Se não arranjasse amigos por aqui, poderia usar a internet pra manter o contato com o povo de lá. Não estava sozinha.
Mas, não é por ter essas soluções que desistiria de fazer amizades por lá. Afinal, só um dia havia se passado e passaria no mínimo 6 anos frequentando aquele lugar e vendo e revendo as mesmas pessoas.
Porém, nada ocorreu como ela desejava. Quanto mais os dias se passavam, mais sozinha ficava e aos seus olhos, todos a odiavam. Aonde Camila ia, achava que a olhavam com desprezo, e chegava até a ouvir murmúrios de humilhação relacionados a ela. Nunca ouviu claramente, mas tinha certeza que aqueles cochichos só podiam estar ligados a sua pessoa.
Na pensão, sua situação ia de mal a pior. Não bastasse ser ignorada na faculdade, era também humilhada na sua própria “casa”. A governanta lhe lançava um olhar de repreensão que valia por mil palavras e a deixava acuada com receio de cometer algum erro. Comia com pressa, pois não queria ficar a mercê das outras meninas, sempre tentando puxar um papo para a humilhar.
Voltava para seu quarto e já não ligava mais para casa. Seus pais pediam que aprendesse a se virar e ligasse só quando necessário. Ela entendia, mas às vezes se revoltava de tal forma que jurava nunca mais voltar para casa. Jurava nunca mais falar com ninguém, já que o mundo tanto a desprezava. Aprenderia a ser feliz sozinha, viveria como uma ermitã. Chegou até em pensar a sair da faculdade e tomar outro rumo qualquer, mas algo a prendia àquela loucura.
Para completar seu quadro, coisas estranhas aconteciam em seu quarto. Desde a sua primeira crise de choro, alguns objetos sumiam esporadicamente. Primeiro, uma caneta azul que usava para fazer as anotações em aulas sumiu de seu penal, o que não foi nada alarmante, visto que ela poderia ter esquecido na mesa ou deixado cair da mala.
No dia em que apresentou um trabalho para toda a sala, e lógico, percebeu os sorrisos disfarçados estampados na boca das meninas do seu pensionato, suas queridas vizinhas, o que sumiu foi seu relógio. Camila realmente não lembrava de tê-lo tirado, e preferia descartar a hipótese de que alguém a tinha roubado furtivamente.
3 dias depois, em que tudo ocorrera normalmente na faculdade, Camila sentiu que poderia ligar para casa sem mostrar nenhuma instabilidade. Assim que desligou o telefone, ela notou algo de diferente em seu quarto. Não sabia distinguir se algo estava fora do lugar ou se algo estava faltando. Só sabia que alguma coisa estava errada. Passou a examinar cada canto, com olhos atentos, sempre olhando para porta para ver se não ouvia passos. Quem sabe não fosse uma brincadeira das meninas, tentando a fazer de boba para que fosse motivo de risos.
Algumas coisas não estavam lá, como seu caderno, sua pulseira de prata e um prendedor de cabelo. Quem poderia ter acesso a seu quarto? Ninguém, ela tinha certeza disso. As regras lá eram rígidas e claras, mas pelo menos garantiam total privacidade dentro do seu espaço. Camila ficou enraivecida. Pensou em telefonar de novo para os pais, mas achou que aquele seria um bom momento para provar a eles que conseguia se virar sozinha. Resolveria esse mistério.
No outro dia, ela andou observando a tudo e a todos, e mais do que nunca, cada rosto lhe pareceu suspeito. Era como se todos lhe perseguissem e a odiassem.
Chegando em casa, mais coisas estavam faltando. Um enfeite de mesa em formato de flor, o porta celular, um par de meias que antes estava jogado sob o pé da cama, e até seu all star não estavam mais em seu lugar. Era impossível que alguém entrasse lá, mesmo porque desde que ali chegara havia instalado travas internas. A janela também era trancada por dentro. Resolveu passar a noite em alerta.
Quem sabe o intruso não a esperasse dormir e usasse de algum truque furtivo. Passou a noite em claro, e quando o dia começou a clarear, Camila olhou no relógio e viu que ainda poderia dormir por uma hora. Cerrou os olhos e sonhou que estava nua na faculdade. Todos a olhavam com desprezo, rindo de sua aparência e tinham algum objeto seu em suas mãos. Um rapaz loiro segurava seus tênis, um outro seu prendedor de cabelo. A menina ruiva levava seu caderno e sua caneta, a morena o enfeite de mesa, e outras duas carregavam o porta celular e o par de meias. No meio de todas essas pessoas, surgiu a governanta da pensão, vestida em um manto preto, com um metro a mais do que tinha na vida real. Abriram espaço para ela passar e seus olhos estavam escarlates como sangue. Andou lentamente, parou bem à frente de Camila, e abriu os braços, deixando a mostra o que escondia sob o manto. Lá estava o porta retrato de sua família, e a bonequinha de porcelana que havia ganhado de sua avó quando ainda era criança.
Camila acordou assustada, levantou-se rapidamente, e constatou o que temia.
O porta retrato e a bonequinha não estavam lá. Correu para porta, destrancou-a e olhou para o corredor tentando avistar algum fugitivo, mas nada. Conferiu as janelas, e os trincos estavam exatamente como havia deixado na noite passada.
Temia ir para aula, pois se os roubos aconteciam mesmo com ela no quarto, imagine o que não roubariam na sua ausência. Receava também suas vizinhas e a governanta, ainda mais depois de seu sonho. Estava sozinha, sem nenhum aliado.
Foi para aula, e ao voltar, não se surpreendeu ao ver mais coisas do que nunca faltando. O quadro da parede, o relógio da cabeceira, o estojo de maquiagens, o saco de roupas sujas, e até mesmo a colcha haviam sumido. No banheiro, os absorventes normais também não estavam lá, obrigando Camila a usar um interno.
Colocou seu pijama e dormiu. Teve uma noite tão tranqüila que chegou a ter esperanças de abrir os olhos e ver que tudo estava novamente no sue devido lugar. Mas não, mais uma dúzia de coisas havia sumido. Seu quarto começava a ficar vazio, e ela não achava soluções para resolver o problema. Foi ao banheiro, e ao tentar tirar o O.B, sentiu algo estranho. Apalpou com calma, pegou um espelho e tentou de todos os ângulos, mas não havia luz o suficiente. Fechou os olhos e se concentrou.
Não havia nada ali.
Nada.
Camila se desespera. Em um surto inconsciente, sai do seu quarto alucinada, gritando para quem quisesse escutar:
-Cadê minhas coisas?
Ela corria pelo corredor, batendo nas portas com força.
-Cadê? Quem pegou meu caderno? Minha boneca?
Ela entra no 1° quarto cuja porta estava aberta e revira tudo que vê pela frente. Com violência, desarruma a cama, abre as gavetas e põem abaixo tudo que estava sob a mesa.
-Cadê? Eu quero minhas coisas!
Chorando, encosta-se na parede, cobre o rosto com as mãos e murmura, como se alguém a escutasse.
- Cadê? Me roubaram..cadê...

Deitada, Camila abre os olhos ainda sonolenta. Mira seu antigo quarto e sorri por estar em casa, em seu ambiente familiar e longe daquele pensionato que tanto a atemorizava.
Tudo estava no seu devido lugar. O porta-celular, a bonequinha, a colcha. Seu All Star estava encostado no lugar de sempre, o porta-retrato estava sob a cabeceira, bem ao lado de sua caneta azul e seu caderno de anotações. Ela respira aliviada e vai ao banheiro lavar o rosto.
Escova os dentes e fica algum tempo se olhando no espelho, quando se lembra que estava menstruada.
Ao tentar tirar o O.B, sentiu algo estranho. Apalpou com calma, pegou um espelho e tentou de todos os ângulos, mas não havia luz o suficiente. Fechou os olhos e se concentrou. Mas...
Não havia nada ali.
Nada.


Letícia Mueller

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Lendas Sobre Michael Jackson


Michael Jackson começou sua carreira , ainda criança , no final dos anos 60 cantando com seus irmãos na banda Jacksons Five, e colecionou lendas interessantes. Veremos algumas.

Permissão às Entidades Para Gravar Clipes

Reza a lenda que o clipe da música Thriller foi gravado em um cemitério de verdade . Mas antes disto o cantor fez um ritual pedindo permissão para as entidades espirituais do local . Há um outro clipe em que Michael vira um homem-leopardo fazendo referência a uma entidade do vodu chamada Agassu . Para gravar este vídeo o artista , também , teria pedido licença a esta entidade .

Comercial da Pepsi

Há uma lenda que diz que em 1984 Michael Jackson teve seu rosto desfigurado , em um incêndio , ao fazer um comercial da Pepsi . Além do seu problema com o vitiligo , o cantor fez plásticas por causa deste acidente .



Michael Jackson Não Morreu

Recentemente surgiu um boato de que Michael Jackson não faleceu no dia 25 de junho de 2009 e , sim , um sósia morreu no lugar dele . Segundo os fofoqueiros de plantão isto foi um plano para que o artista escapasse de suas dívidas . Particularmente não acredito nesta estória .


Porém verdade , ou , não , o que importa é que Michael Jackson sempre será uma lenda viva da música Pop .



Luciana do Rocio Mallon

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Um encontro por um fio


Vou contar uma história que aconteceu com uma amiga minha; muita extrovertida e adorada. A Claudia trabalha em um departamento de RH de uma empresa muito conhecida da minha cidade. Numa certa tarde, ela ganharia uma folguinha para fazer umas comprinhas e arrumar aquela roupa legal. Ela estava com um novo namorado e queria estar bela para o encontro de logo à noite.

Muito ansiosa, estava chegando a hora de sair da empresa, mas como uma boa mocinha, não deixou de dar aquela passadinha no espelho do banheiro e logo lembrou: ”opaaa, tenho que trocar meu absorvente”. Dançando e cantarolando como sempre fazia, ainda mais naquela tarde, que iria sair e estava só na espera da chegada da noite. Eis um grito: “MEU DEUSSSS, MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS, E AGORAAAA????? QUE EU FAÇO??? NÃO TÁ AQUI!!!

Saiu em disparada e pediu para as pessoas que a levassem ao médico. Gritava e insistia loucamente que a levassem, mas quando as pessoas perguntavam o que estava acontecendo, ela não falava. Apenas dizia que queira um médico, e assim foi feito. Vendo aquele desespero todo, a levaram no hospital, mesmo assim não falou nada para quem a estava socorrendo. Entrando na sala do médico, suando e gritando, Claudia mal conseguiu explicar o que havia acontecido, mas o doutor logo percebeu e solucionou o caso. Primeiro, teve que medicá-la devido ao surto de pânico. O médico saiu e falou para a pessoa que estavam acompanhando a moça, dizendo que ela teria que ficar em observação por 24 horas devido à medicação que tomara por causa do surto. Claudia, sonolenta, ainda conseguiu telefonar para seu amor cancelando o encontro, e disse apenas que o motivo era um fiozinho que não estava no seu devido lugar. Tadinha da Claudia, acho que hoje ela não usa mais OB.

Adriana Lopes

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Conversa íntima


Como abordar o assunto? Falar de forma figurativa ou real? Será possível?

Existe algo perdido em mim, não sei se é o fio do O.B que não está onde deveria estar, mas pensando bem, existem tantas coisas que não estão onde deveriam estar. Há tantas coisas perdidas em mim, sonhos mal sonhados, sonhos mal vividos ou mal resolvidos, vai entender...

Usando da inocência das crianças, quando é hora de falar sobre tudo, quebrar o encanto do "felizes para sempre", mostrando que a vida não é fácil não dá para viver só na brincadeira, quando contar que é hora de entender as coisas perdidas dentro delas, sem causar o trauma de que crescer é preciso. Quando?

Falo isso porque em um comentário de meu irmão e de minha cunhada a um amigo, em tom de brincadeira, sobre os efeitos do anticoncepcional para a pele (que em muitos casos melhoram muito na fase das acnes), minha sobrinha de apenas cinco anos de idade virou para eles e diz:

- Por isso minha pele está tão lisinha e bonita, porque eu uso anticoncepcional.

Ela, sem entender o que era isso, quis comentar e participar da conversa de forma inesperada, pegando-os de surpresa. O que falar diante dessa situação? Rir foi inevitável.

As crianças hoje sabem mais que muitas outras pessoas sobre temas diversos, internet, por exemplo, é um exemplo dos mais temidos: como saber o momento certo de conversar sobre todos os assuntos, antes mesmo que descubram pela web?

Dei essa volta para tentar entender de que forma abordar esses assuntos, não só com as crianças. As pessoas adultas desconhecem alguns temas, até mesmo a internet. Para muitos adultos, a internet é um tabu como diversos outros.

Diante disso, como perguntar à mãe sobre O.B.? Se tira a virgindade, quando retirar, como colocar, saber se é mesmo seguro, se não vai vazar. Muitas vezes, ela não saberá responder, por nunca ter usado ou por ter as mesmas dúvidas. É o momento então, de entrar uma terceira pessoa nesse diálogo: o Ginecologista. Tão temido, mas indispensável.

O importante é que a mãe tenha esse diálogo com a filha, para evitar as pesquisas na internet, a exposição em sites de bate-papo, em comunidades do orkut sem necessidade. É bem mais fácil e seguro.

Isso tudo gera vários comentários, de mães, filhas e doutores.

O ponto é que ainda existe algo perdido em mim e também não encontrei o fio do O.B., acho que está junto com as outras coisas perdidas, e que não estão onde deveriam estar. Como as várias perguntas que têm respostas mas temos medo de encará-las. Ou outras tantas que não tem respostas, ou até tem, mas não nos convencem. Se eu encontrar essas respostas, direi a todos se o fio do O.B. está perdido por lá, em meio a tantas coisas, perdidas ou esquecidas. Porque de uma maneira ou de outra a maioria teme em falar de assuntos que não estão seguros em comentar.

É fácil concluir que, como muitas, eu também nunca usei O.B. Será que por medo? Insegurança? Falta de informação? Ou nenhuma dessas alternativas? E, sim, por simplesmente achar mais fácil usar o tradicional, porque quando esse momento chegou, foi minha mãe que eu consultei e foi ela que me mostrou as duas formas de uso. Eu escolhi o tradicional, e você qual escolheu?


Mary Palaveri